domingo, 20 de agosto de 2017

Novos ciclos.

Faz três anos e seis meses que "abandonei" meu blog. Chamava-se "Mundo rosa de Deinha" e o título era uma figura de linguagem. Meu mundo tem muitas cores e é nesta riqueza de tons e possibilidades que venho me reconstruindo nestes últimos tempos. Migrei para o Medium. Voltei a escrever no draft. Se quiseres me seguir, aqui estão os caminhos das pedras. Decidi não tirar do ar tudo o que tinha escrito nestes anos de blog porque não dá para apagar o passado. O que escrevi /vivi, sou eu hoje. Só que ampliada.
Te espero.
Um abraço.

http://projetodraft.com/aprendi-tanto-que-seria-um-crime-nao-compartilhar-eis-as-quatro-teorias-que-me-transformaram/

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Férias para a alma.

Esta quem me contou foi o Helio, um amigo querido cheio de histórias. Ele vai no mesmo barbeiro há anos. Destes bem tradicionais. Um senhorzinho gente boa, que construiu o salão com base nas relações, esta coisa humana que andou meio fora de moda e que parece, felizmente, dar sinais de que pode voltar. O Helio foi para o exterior. E viu numa loja uma tesoura linda, grandona, destas profissionais. Lembrou do Seu Barbosa. Sim, ele, o barbeiro, se chama Barbosa. Trouxe todo feliz e, no começo do ano, foi ao salão para entregar ao amigo. Eis que o Seu Barbosa não estava. Tinha tirado férias. "Que coisa boa", pensou. Não lembrava de tê-lo visto sair de férias nestes anos todos. Alguns dias depois, voltou. Tesoura em punho e um sorrisão na boca. Encontrou o Seu Barbosa. Mais sorrisos. Ainda mais depois de receber um presente tão personalizado. Aí a curiosidade o fez perguntar das férias. Pergunta de praxe. Para onde foi, como foi. Nordeste, uma praia, montanha? Será que teria se aventurado no exterior, já que está tão fácil nos dias de hoje? Feliz da vida, Seu Barbosa comentou que teve as férias mais lindas que podia ter tido. Ficou em casa, com a mulher. Ela está velhinha. Enxerga pouco. Ele trabalha muito. Se veem pouco. Aí ela pediu para ele ficar com ela. E ele ficou. Fazendo nada, cozinhando, conversando. Ficaram ali, dias a fio, ali, do lado. Hoje, numa reunião com duas assessoras de imprensa, falávamos sobre a Medicina. Elas comentaram o quanto os  médicos que gostam de gente têm chamado a atenção. Mas médico não devia gostar de pessoas? Não tem um quê de servir, de ouvir, de acolher, de cuidar intrínseco à profissão? Parece que andamos esquecidos de coisas bem essenciais. E os que se aventuram e criam coragem de voltar às raízes têm dado aula. Sempre comentei que as crianças são grandes professoras. Elas têm um entendimento do que realmente importa. Acho que vale para os mais velhos. Na mesma sala de espera da clínica médica, hoje, um senhor de 87 anos contou suas andanças pela vida. Falou da importância de se fazer o que gosta, de cuidar do corpo desde jovem. Foi um maestro gentil e amoroso na condução da conversa. Viveu o poder do agora. Estava inteiro, feliz, compartilhando suas narrativas pessoais. Tinha todo o tempo do mundo. Desconfio que boa parte do que nos alimenta como seres humanos tem a ver com nos reconhecermos em histórias como as destes dois senhores. Com relembrarmos o quanto os médicos de família tinham um papel social ao irem nas casas, ao saberem das histórias de quem se entregava em suas mãos. Amo viajar. Amo a tecnologia. Mas sei que que tem horas que menos tecnologia e mais prosa nos transformam.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Uma questão de tempo.

Neste fim de semana eu recebi um verdadeiro presente do Universo. Na verdade, foram dois. Um reforçou o outro. Os dois têm a ver com o tempo. Com dar tempo para que as coisas aconteçam. E com não perder tempo rascunhando a vida, como já recomendava o grande Mario Quintana.
Faz três meses que eu não escrevo no blog. Parece que nunca é a hora e quanto mais o tempo passa, menos parece ser o momento de retomar. "Teria que ser algo impactante, relevante", penso, com minha auto-crítica saindo pelos poros. Há três meses eu escolhi ficar mais quietinha, nas palavras, nas relações, observando mais, agindo menos. Aprendi a não apurar as coisas e a observar tudo o que semeei ao longo de trinta e poucos anos para ver o que começaria a brotar. Me tornei até um pouco estranha pra mim mesma. Menos Pollyana, menos disponível, mais contemplativa. A jornada do “The artist way”, curso de criatividade de doze semanas que vivi no fim do ano, certamente, contribuiu. Um fim de ano que parece que não acabou também. E eu aos poucos fui espiando tudo o que acontecia, à espera de alguma pista. Ei-la. Chama-se “About time” ou “Uma questão de tempo”, um filme que caiu no meu colo na semana passada e que assisti no sábado à noite. Eu sequer sabia que ele estava no cinema agora, no fim do ano. Tenho ido pouco ao cinema. Trata-se de um romance inocente que teria tudo para ser só mais um filme. O fato é que o enredo me tocou. Não sei quem é o diretor, nem busquei saber do roteirista. Mas me enxerguei vivendo o dilema do protagonista que, numa grande brincadeira da vida (um presente que os homens da sua família recebem aos 21 anos), teria o dom de voltar no tempo e reviver o que quisesse. Assim, quase que um jeito ilimitado, ele poderia viver o hoje, ousar mais amanhã e ir se reinventando ao longo dos dias revividos. Até que a chegada dos filhos muda tudo. E abre, ao mesmo tempo, novas possibilidades. Alguma semelhança com a vida real? Pois bem, com a simplicidade de um roteiro bem cotidiano, a narrativa desdobrou questões bem humanas e trouxe, com a profundidade merecida, a beleza das relações. Falou de tempo, da falta de tempo, do efêmero e do quanto pequenos gestos são capazes de mudar o todo. Ainda impactada pelo filme, recebi outro presente no domingo à noite. A leitura, em primeira mão, de um texto que se transformará em uma peça de teatro. Atriz incrível, pessoas incríveis, um texto rolando e uma noção de tempo infinito justo num domingo à noite, aquele período que parece sumir do calendário sem deixar nem um bilhete pelo caminho. Meu fim de domingo durou uma eternidade. E acabou em segundos. A peça ainda é um desenho. Mas já está viva no coração da grande atriz que a escolheu. Não posso abrir mais. Ainda. Mas posso dizer que estes dois textos mudaram minha própria narrativa pessoal. E casaram como uma luva com meu momento contemplativo, a ponto de me fazerem ter vontade de voltar a escrever. Assim, sem rascunhar. Como uma viagem daquelas que temos vontade de compartilhar com quem a gente ama, fiquei com vontade de dividir um pedaço da minha experiência através do filme com uma dezena de pessoas. Como fiquei bem a fim de levar pela mão amigos queridos à peça, que deve ser parida em meados de julho. Prometo mandar notícias. Sobre o mundo rosa – e os outros tons que tenho visto por aí, sobre o que tem me provocado, sobre a peça, sobre o tempo, sobre a minha desconfiança cada vez mais forte de que devemos colocar nossas energias no resgate daquilo que é essencial. E que o essencial é bem simples. Se você tiver tempo, dedique duas horinhas do seu ao filme. Sozinho ou bem acompanhado, simplesmente vá. Sem mais perguntas, sem planejar muito. Às vezes as boas surpresas vêm mesmo assim, totalmente despidas de glamour e expectativas.



sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Os deuses, os artistas e as crianças em nós.

Ontem à noite eu tive mais uma rodada reveladora na minha vida. Completamente sem tempo, arranjei tempo e estou participando de dois grupos de estudo à noite. Num deles, baseado no livro “The artist way”, tento resgatar minha alma artista. No outro, o de ontem, junto com algumas corajosas mulheres, estou estudando a mitologia. Mais especificamente, as deusas e sua influência nas nossas vidas de simples mortais. E agora, como eu paro tudo isto? Fiquei muito tempo sem escrever também pela falta de tempo, mas principalmente pela falta de entendimento de tudo o que tenho observado por aí. Tem paradigmas ditos consolidados se dissolvendo, fichas caindo por todos os lados, gente se encontrando e outros tantos se perdendo de um jeito bem sério. As grandes instituições, as verdades absolutas, as certezas não são mais assim, tão certas. E um espaço novo se abre. Como todo novo, dá frio na barriga, mas traz consigo uma intensa possibilidade de recomeço. Acompanho, de perto, alguns movimentos de entrega. E vejo também muita gente grande virar criancinha assustada diante de tantas possibilidades. Eis que ontem, me aproximando da história de Afrodite, consegui conectar estes mundos que aparentemente não deveriam se falar. Há pouco mais de um mês levei num fórum de executivos a mitologia como forma de contar uma história. Ouvindo a história de 40 decisores do mundo corporativo, cheguei na alma pessoal de cada um deles (delas) que, sem cargos ou crachás, trouxeram em suas falas aquilo que os alimenta como seres humanos que são. Somos movidos por desafios, por projetos. Mas também pela beleza, pela estética, pelo cuidado. Mais uma vez, não é "ou". É “e”. Somos Afrodites (ou Vênus) e Marte (ou Aries) e é a soma destas possibilidades dançando em nós que nos completa e preenche um grande vazio existencial. Assim como me descubro em cada encontro um pouco Artemis (livre, selvagem), sei da importância de chamar uma Atena (intelectual, focada) ou Deméter (amorosa, mãezona) em diferentes momentos da minha vida. A consciência de que todas elas coexistem em mim (em nós) é o que liberta e nos reconecta com nossas essências. O artista é exatamente isto. Tenho convicção de que nascemos artistas. E o perdemos pelo caminho. Que temos histórias, sonhos e jornadas muito próximas e que ao ouvirmos a história do outro, nos escutamos. Ontem, na nossa roda de mulheres, mais parecíamos menininhas, crianças atentas com olhos enormes e brilhantes escutando as nossas próprias histórias refletidas através dos mitos. Dia destes, recebi um vídeo do filósofo Clovis de Barros no Jô. Já virou meio spam. Todo mundo fala sobre ele. Me identifiquei em muitas das falas. No nosso papel no mundo de permitirmos que as plantas das pessoas desabrochem. E no conceito bem simples de que felicidade é um momento que não queremos que acabe. Ontem o tempo voou. Desabrochei mais um tanto. E tenho desabrochado através das histórias que escuto e vivo. E por meio de muitas e generosas pessoas que dão mais vida e sentido à minha vida. Como comentei com as meninas, vivo o momento mais exaustivo de todos os tempos. E o mais intenso e feliz.


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Estar-se preso por vontade.

Nunca a frase do Legião Urbana fez tanto sentido pra mim. Inspirada no original de Camões, "é querer estar preso por vontade", o contexto apareceu na entrelinha de uma conversa com um ex-cliente, agora amigo. Ele acabou de se aposentar. E assistiu à minha palestra no TEDx Laçador. Ficou mexido. Me escreveu. Me contou coisas da vida, na sabedoria de quem viveu muito e segue aprendendo. Entre muitas reflexões, falou que esteve recentemente com ex-colegas do tempo do colégio. Todos na mesma fase da vida, se reinventando depois de longas jornadas corporativas. Segundo ele, o grande dilema desta etapa não está no adaptar-se às novas rotinas. O medo não é o de sentir falta do trabalho, mas o de passar por privação financeira. "Quanto mais cedo aprendermos que é possível viver com menos, mais coragem vamos ter para fazer aquilo que nos dá alegria de viver", contou. Tenho exercitado mentalmente este conceito de liberdade. E ele é bem maior que pegar uma mochila a qualquer momento e sair pelo mundo. Tem a ver com a sensação de ser livre para recomeçar e com imaginar isto possível todo dia de manhã, ainda que não o façamos. Com estar em projetos de clientes porque eles também alimentam nossas almas, e não somente porque precisamos deles para pagar as contas. Com conviver com pessoas que tiram o melhor de nós e com escolher não mais estar com outras tantas, que não acrescentam - e ainda subtraem. Liberdade é um sentimento. Não necessariamente uma ação. Ainda pensando a respeito das vidas corporativas, enxergo grandes escravos de luxo por aí, pessoas que não podem sequer questionarem as próprias carreiras porque jamais conseguirão ganhar nem perto do que recebem no lugar atual. E têm contas proporcionais à responsabilidade. Outros, por bem menos, tornam-se também escravos de carnês. Não pagar lhes tira a dignidade. Crédito é o seu cartão de visitas. O dinheiro, meus caros, aprisiona. Nos dois extremos, com igual crueldade. Mas pode também ser libertador. Falei na mesma palestra do TEDx sobre o lucro admirável, aquele de empresas cuja sociedade aplaude quando acontece. Usei como exemplo aquele amigo bacana que vibramos quando dá certo na vida porque sabemos que fará bom uso do que produzir. Vai viajar, fazer cursos. Vai tornar-se uma pessoa ainda mais bacana - e ainda compartilhar tudo por aí. Com dinheiro na mão, o fluxo flui. Ninguém vai para o inferno porque é capaz de gerar riqueza. Tem a ver com merecimento, com sermos reconhecidos porque somos capazes de produzir coisas boas. Falando ainda musicalmente, acho que o Frejat também resumiu muito bem esta história toda: "Eu desejo que você ganhe dinheiro pois é preciso viver também. E que você diga a ele pelo menos uma vez quem é mesmo o dono de quem."

Pra quem ainda não viu, segue o link da minha palestra no TEDx Laçador: 
http://www.youtube.com/watch?v=3hdznmYhIzE&feature=youtu.be


sábado, 17 de agosto de 2013

A dor da separação.

Carolina, 9 meses, segue me ensinando. Desta vez, minha grande professora me deu uma aula sobre a dor da separação. Tinha lido já a história de que o bebê humano vive 9 meses dentro da barriga e 9 meses fora. Somente então, está próximo de outro mamífero qualquer recém-nascido. É como se a saída da barriga fosse só parte do processo da gestação. Totalmente dependente, quase um apêndice da mãe, o bebê termina de ser formado fora, mas bem dentro. Pois bem, eis que a minha pequena começou a apresentar uns sintomas inquietos nas últimas semanas. Passou a acordar assustada à noite e a choramingar mais a minha presença. Acabei chegando a alguns artigos que falam na tal “dor da separação”. A grosso modo, a dor acontece mais ou menos quando o bebê descobre que ele e a mãe não são a mesma coisa. Passa a ter medo dela desaparecer. A fusão, antes tão intensa, começa a se desfazer e ele, o bebê, passa a descobrir que existe por si, que é um ser humano integral, e não parte da mãe. Isto dói. Dá medo. Mas faz crescer. É, portanto, uma fase fundamental. Para a mãe, que tem que estar perto, é preciso passar segurança, tranquilidade. Para os demais que convivem com a criança, também. Não dá mais para voltar para o útero. O próximo estágio é ir em frente, caminhar, descobrir o mundo. Dói mais pra mãe, às vezes.
Esta semana, não por coincidência, estive com algumas mulheres fortes e corajosas. Falamos, por tabela, da tal dor da separação. Uma delas largou a carreira bem sucedida e, aos 40, foi viver um amor de verdade nos Estados Unidos. Largou a estabilidade, a casa bem montada, um emprego de fazer inveja às amigas e foi andar de bicicleta numa cidade pequena onde, claro, empreende com o novo marido. Casou e está recomeçando a viver. Outra, também largou a carreira corporativa e, com filhos pequenos, desenhou um novo negócio que vai colocar em prática a partir do ano que vem. Tudo a ver com ela. O olho brilha quando conta detalhes do projeto. Uma terceira, que conheci ontem à noite, do nada, no aniversário de uma grande amiga, estava em São Paulo para um final de semana relâmpago com o namorado, também americano, que conheceu num congresso meses atrás. Ela do Paraná, terapeuta. Ele psiquiatra. Ela, filhos pequenos. Ele, filhos criados. Ela não falava inglês. Estão aprendendo a se comunicar. E o inglês dela flui que é uma beleza perto dele. Não há planos de futuro. Não há perspectivas. Mas estão vivendo a história em encontros pelo mundo, quando dá. Step by step.
Não são histórias de amor. São, no meu ponto de vista, histórias de pessoas que têm a coragem de viver a dor da ruptura. Que se expuseram para o novo e se libertaram de amarras. Aos 9 meses, passamos pela primeira de muitas destas quebras. A ida para o colégio, a saída da casa dos pais (no meu caso, aos 17 anos), a mudança de cidade, um novo emprego, um projeto que sai do papel. E não precisa mudar de país ou largar o emprego para viver estas quebras. Às vezes, as mudanças são sutis. Ainda assim, intensas e transformadoras. Todas elas carregam em suas essências as estrias do crescimento, o frio na barriga do desconhecido. Mas são graças a elas que temos a infinita capacidade de nos reinventarmos. A descoberta da Carolina de que ela é só é também uma feliz oportunidade de se perceber única. E cheia de possibilidades. Quando descobrimos que somos, de fato, sozinhos, isto nos liberta. Estamos com as pessoas – pelo tempo que for – porque nos enxergamos através delas. São todas bem-vindas. Mas a trajetória é nossa. O dia que descobrirmos que somos nós os verdadeiros amores das nossas vidas, a dor pode doer menos. Ou, se doer, ao menos é uma dor que abre novos caminhos. E não aquela que nos aprisiona como crianças amedrontadas embaixo da cama.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Entusiasmo.

Tem um monte de gente que eu curto, admiro, gosto de ler, ouvir. O Eduardo Galeano é um deles. Descobri um videozinho recente, direto da Praça Catalunya, na Espanha, onde ele fala, entre outras coisas, sobre o conceito de entusiasmo. Do grego, tem a ver com "ter os deuses dentro". Já comentei por aqui de um indiano que me contou que Deus vive dentro da gente. E já falei sobre "voltar a beber na própria fonte". Tudo a mesma coisa. Tudo faz muito sentido pra mim. Ora, se os deuses vivem dentro da gente, não dá pra tentar enfiá-los "goela abaixo" nos corpos de outras pessoas. Eles já estão lá, adormecidos. Cabe a nós, se quisermos, tentarmos despertá-los. Já nascemos empoderados. Temos todas as ferramentas. Mas a escolha de usá-las ou não é somente nossa.
Nunca vi tanta gente desanimada, reclamando. Também nunca encontrei tanta gente "entusiasmada" por aí. Gente que tem tomado as rédeas da própria vida e recriado suas histórias. Que tem construído legados. Este é outro conceito que eu gosto muito. E que aprendi com o Nuno, um português amigo também já citado em posts anteriores. Segundo o que ele me contou, morremos quando deixamos de ser lembrados. Não quando nosso corpo vai embora. Quando construímos algo tão bacana em vida, que somos citados de forma recorrente em conversas, mesmo quando já não estivermos por aqui.
Nesta semana encontrei uma turma "entusiasmada" de jovens, num projeto lindo de uma empresa de tecnologia. Engenheiros, ex-bancários, todos podiam estar curtindo uma aposentadoria generosa. Mas decidiram empreender. Não contentes com isto, têm criado encontros inovadores dentro da empresa. Fui chamada como "inspiradora" de um deles. Tem a ver com novos modelos de educação e com a descoberta de novos talentos. Colocaram 9 meninos (e uma menina), de 12 a 18 anos, classes sociais diferentes, vivências diversas, numa sala por algumas semanas (uma manhã por semana) para aprenderem alguns conteúdos e para pensarem nos seus futuros. Mostraram o mercado, contaram o bastidor de uma empresa de verdade e os ajudaram a enxergar o futuro. Quem deu as aulas? Os funcionários. Quem ajudou no fechamento? Euzinha. Uma delícia. Fiz com eles uma dinâmica de resgatar, num texto escrito a mão (eles não têm o hábito de escrever), cinco pessoas que foram fundamentais para chegarem ali naquele momento. Criaturas que foram definitivas na construção das suas personalidades. Apareceram, além de mães, pais e amigos, o Bob Dylan, o Steve Jobs, um tio amoroso que sempre jogou videogame com um deles e até a figura do game Pacman. Fiz o exercício mentalmente enquanto eles escreviam. E me revi crescendo e formando quem eu sou. Apareceu, claro, o meu pai, sempre uma referência intelectual pra mim, que me contou que eu escrevia bem, que carregava minhas poesias recortadas na carteira. Nunca morreu na minha memória. Ao mesmo tempo, pegando carona com o Nuno, me pego pensando em como serei lembrada daqui a alguns anos, quando não estiver por aqui. Serei, afinal, lembrada? Por quem? Em que contexto? Nascer e morrer não são escolhas que possamos controlar. Mas com 8 ou 80, temos sempre pela frente todas as possibilidades. Se depender dos meus deuses internos, animados como são, tenho muito trabalho pela frente. Tomara deixar na memória de alguns um pedacinho deste mundo novo que vem aí.

O link pro vídeo do Galeano que comentei. Conta que estamos parindo algo novo". "Hay otro mundo que nos espera", disse :) http://www.youtube.com/watch?v=j2IYgytRs90

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Essencial.


Faz dias que eu venho ensaiando muitas coisas pra escrever no blog e nenhuma delas me tocou tanto quanto a questão do "reencontrar aquilo que é essencial na vida da gente." Falei, dia destes, sobre o que o filósofo francês Jean Bartoli comentou sobre "voltar a beber na própria fonte" e isto tem feito muito sentido pra mim. O livro "The artist way" tem que parcela de responsabilidade nesta mexida boa. O fato é que neste mundo cada vez mais caótico e cheio de possibilidades, o difícil é ser simples. Escrever rebuscado é fácil. Quero ver fazer como o Mario Quintana. Serve pra tudo na vida. Enfeitamos demais, esperamos demais das pessoas, planejamos muito e vivemos, de fato, pouco. Parece que perdemos energia demais rascunhando e, parafraseando o Quintana de novo, não dá tempo para passar a limpo. Semana passada eu dei uma palestra para muitos executivos donos de empresas, clientes de um grande banco. Ouviram, atentos, o que poderiam fazer para transformar suas empresas, muitas delas familiares, em grandes marcas. Como fazer sem dinheiro, sem tempo, sem grandes estruturas? Mais fácil ainda, já que o elefante branco ainda é pequeno e fácil de manejar. Complicar nas estruturas empresariais também tem sido uma moeda corrente. Depois, ninguém sabe onde tudo começou e muito menos alguém tem coragem de desatar os nós. Acho que esta é uma boa pista. Começar desmanchando, desfazendo, resgatando, relembrando quem somos, afinal, em essência. Nunca os restaurantes ditos caseiros estiveram tão na moda. Comer em casa virou luxo. E o feijão da avó vale ouro como nunca. Amigos fazem escambo de roupas de bebês, livros, das próprias roupas. Piqueniques nos parques são frequentes em cenas urbanas mesmo nas grandes cidades. O que tem por trás de tudo isto? Um grande inconsciente coletivo em busca daquilo que nos move como seres humanos que somos: contato físico, cuidado, acolhimento, detalhe, memórias auditivas, olfativas e visuais, bilhetes, cartinhas, pequenos mimos personalizados, resgatar o convívio com os vizinhos de porta. Aprendi rccentemente alguns pequenos rituais que ajudam a resgatar parte disto tudo. De jeitos irritantemente descomplicados. Vou contar alguns pra vocês. O primeiro, do livro "The artist way", fala nas "morning pages". Segundo a autora, começar o dia escrevendo, a mão, três folhas inteiras do que vier à cabeça abre um espaço imenso para a criatividade fluir. Assim, sem medo, três folhas e uma caneta na mão, julgamentos de lado, e frases que são libertadas. Segundo o que li hoje no Facebook do Marcelo Ruschel, que palestrou no Tedx Laçador comigo há alguns dias,  "você precisa repetir 21 vezes um gesto para virar um hábito". Pode ser um bom começo. Outra dica que aprendi, desta vez com uma viajante do mundo, foi a de ter um caderninho na beira da cama para todo dia de manhã agradecer 5 coisas bem simples. Todo dia a mesma coisa. Todo dia 5 coisas novas, que não podem ser repetidas. As mais simples e inesperadas, de preferência. Outra criatura, empolgada com o embalo da conversa, ensinou a termos um baú de grandes realizações. Uma vez na semana, no final de semana, por exemplo, dá para escrever no papel o que de bom se viveu naqueles dias que passaram. Toda semana a mesma coisa. Uma frase, uma memória e a data. No fim do ano, perto ao Ano-Novo, como num grande ritual de celebração, o dono do baú abre a caixa mágica e revive, um a um, cada um dos momentos. Estou tentando fazer os três. Não sei se terei disciplina para mantê-los. Tampouco vou sofrer se perder uma ou duas rodadas das "morning pages". O que sei é que tenho tentado me preservar, me proteger e focar a energia em coisas realmente relevantes para minha vida. Os rituais sempre ajudam nestes casos. Se eu mesma não for guardiã da minha fonte, quem irá alimentá-la?

domingo, 21 de julho de 2013

Amigo dos sonhos.

Ontem eu recebi uma série de mensagens bem lindas sobre o dia do amigo. E fiquei pensando, aqui comigo, no verdadeiro significado destas pessoas na vida da gente. Família a gente não escolhe. Ou melhor, escolhe, em outro plano. E estamos aqui para aprender e para crescer com ela. Mas os amigos, estes são, sim, fruto de nossas escolhas bem terrenas. Assim, pé no chão e com uma boa dose de sexto sentido no pacote. Ontem, justo no dia do amigo, eu tive uma prova de amizade que não tem preço. Fui acolhida, sem julgamentos, por uma grande amiga que apenas me cuidou e me ouviu. Me deixou dormir e esteve ali, inteira, caso eu precisasse. Uma criatura que não mede palavras para me "trazer de volta à realidade" quando eu saio demais da caixa e que sabe me dar empurrões quando estou a um passo de uma grande decisão. Não passa a mão na cabeça, mas sabe dar colo como ninguém. Pra mim, pra minha filha e pro até pro maridão. Fico pensando nos nossos papeis como pais, como amigos. E no quanto dar a real faz parte da construção de homens e mulheres íntegros. Dizer sim sempre, elogiar sempre e achar tudo lindo não é tão lindo assim. Mas qual a medida para mostrar o outro lado sem puxar para baixo, sem desestimular ou bloquear? No curso que eu fiz na semana passada - e que comentei no blog, o "The artist way", falamos sobre isto. Sobre o quão valiosos são os sonhos das pessoas. E de que não temos o direito de julgá-los. Acho que amigo, em essência, tem a ver com isto. Com sonhar com a gente, fazer parte do sonho, ajudar a construir o sonho, vibrar com ele, festejar, compartilhar. E se um dia, por algum motivo, algum deles virar pesadelo, ele vai estar ali do lado pra nos segurar.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

The artist way

Ontem eu reencontrei minha alma artista num delicioso encontro onde corajosos "seres humanos normais" se propuseram a se entregar. Foi mediado por uma menina de nome Flor, cujo olhar brilha ao organizar este tipo de encontro. Alguns bons amigos, curiosos, toparam e também foram. O tempo voou e, quando vimos, eram 23h. A proposta do encontro foi, inspirados no livro "The artist way", experimentarmos algumas situações bem simples de reconexão com nossa alma criativa, sem aquelas vozes críticas tão duras, sem medos e com grande alegria. E assim o foi. Éramos uns 15 e, ao final, foi como se fôssemos centenas, tamanha foi a lembrança que tivemos de pessoas que fizeram - e ainda fazem diferença nas nossas vidas. Aqueles amigos de infância que nos ajudaram a decidir a profissão de hoje, aqueles não tão amigos, que nos bloquearam naquilo que suspeitávamos sermos bons, a família, os colegas e ainda os desconhecidos ali presentes, que trouxeram dicas assim, na hora, e acabaram nos ajudando a desenhar novas rotinas para nossas vidas. A proposta do livro é bem simples: durante 12 semanas o leitor deve se propor a fazer uma atividade diferente por dia para, de forma bem leve, libertar o artista que vive aprisionado nos nossos julgamentos internos. Surgiram momentos únicos e difíceis de descrever. E insights bacanas. Dentre eles, a sutil diferença entre o medo e a curiosidade, a certeza de que todos somos todos gênios e a percepção de que se formos esperar o dinheiro que gostaríamos, talvez não façamos as coisas que sonhamos. "A head full of fears has no space for dreams", dizia um cartaz. Não precisaria um encontro como este para que cada um dos presentes pudesse, com uma boa dose de disciplina, seguir os passos do livro e, ao final de 12 semanas, se redescobrir. Mas, como uma boa defensora das conversas circulares, não tenho dúvida de que aquelas pessoas tinham que estar ali e que o círculo enriqueceu muito as pequenas grandes vivências de cada um dos presentes. Não teríamos conhecido um casal aventureiro que recém chegou de volta ao Brasil, sedento por um boteco com amigos, depois de dois anos de volta ao mundo em busca de sentido pras suas vidas. Não teríamos encontrado meninas inquietas que recém largaram os empregos, nem as que, ainda nos seus, estão a um passo de pedirem pra sair. Não teríamos torcido para a máquina fotográfica de uma moça chamada Diva a acompanhasse com calma nas próximas corridas, em caminhadas relaxadas depois das provas. Nem teríamos descoberto que um engenheiro focado em TI é tão hábil para fazer um origami de papel em forma de pássaro. Não teríamos, juntos, criado mil e um usos para o rolo do papel higiênico, nem brincado com massinha de modelar nem aprendido a colocar numa cestinha, toda sexta-feira todos os grandes feitos da semana. Beber da própria fonte, como disse o querido filósofo francês Jean Bartoli, é fundamental. Mas bebericar em fontes externas é também bem rico e renovador. Um brinde às almas artistas!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Assim, um propósito.

Há umas duas semanas eu estive com o Marcelo Cardoso que, entre um assunto e outro, falou da importância de se ter um propósito na vida. Disse ele: “se você não tem um propósito de vida, seu propósito pode ser o de encontrar o seu propósito de vida”. Tem um outro ditado bem popular que fala mais ou menos a mesma coisa. "Se você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve." Tenho acompanhado muita gente sem propósito por aí. Gente que acorda de manhã e não tem a menor ideia do motivo pelo qual está por aqui. Não que seja fácil. Quem dera o fosse. Mas ter uma mínima ideia do que te move parece, ao menos, facilitar um pouco algumas decisões bem simples. Falava com um amigo hoje que me relembrou o quanto o tal propósito ajuda a clarear as nossas ações diárias. Para um estrategista de guerra, por exemplo, saber que o objetivo a ser alcançado era dominar tal território num tempo X dava a ele uma relativa tranquilidade de acordar a cada dia muito focado em conseguir mais um passo daquela jornada, ainda que longa. Mesmo que tivesse que esperar por meses no frio, parado, sabia que fazia parte de um plano maior. Guerras ou conquistas territorialistas à parte, este olhar para dentro e encontrar um rumo, ajuda, e muito, a termos coragem de sair da cama, mesmo naquelas manhãs frias de inverno. Estou bem convencida de que esta vontade que vem de dentro, este drive que move algumas pessoas, não tem a ver com perfil, idade, classe social. Tem a ver com energia vital vibrante. Parece, inclusive, que aqueles que enfrentam muitos obstáculos vêm “de fábrica” com uma dose extra de vontade. Choramingam de menos e realizam muito mais. No dia em que conduzimos a oficina de tricô com redação estávamos todos meio apreensivos com nossa capacidade de tricotar. Eu não o fazia há pelo menos 30 anos. E muitas pessoas nunca haviam tocado em agulhas. Eis que uma menina linda e sorridente deu uma verdadeira aula a todos nós e foi quem puxou a turma a começar o tal treino. Detalhe: ela não tem uma das mãos. E assim, do jeito que dava, contou um truque que aprendera para dar o primeiro laço e iniciar o processo de colocar a linha na tal agulha. Saiu sorrido e tricotando e ainda ajudou todo mundo a derrotar seus medos. Mimimi de menos e propósito de vida demais. Hoje este mesmo amigo que falou comigo sobre os estrategistas, me apresentou a um vídeo que acabou de sair do forno. Um clipe que o pessoal do Fresno fez com atletas com grandes limitações. Físicas, e não emocionais. Chama-se "Maior que as muralhas." Com uma garra de fazer inveja, eles souberam se reinventar e, assim, dia após dia, se superaram e construíram histórias incríveis. Preferiram enxergar a metade cheia do copo. O esporte tem disto. Um objetivo a ser alcançado. Melhor ainda quando tem a ver com superar a si mesmo, e não necessariamente com “vencer alguém”. Vencer nossos inimigos internos é sempre mais desafiador. Ao que parece, o trabalho do grupo tem um quê disto. De apresentar estas e outras histórias a jovens meio “sem propósito”. Espero que estas e outras iniciativas também cutuquem aqueles que não são mais assim, tão jovens. Que, além dos de 20, os de 60 possam se reinventar. E se ainda não encontraram seu propósito, que usem toda sua bagagem acumulada como atalho. Para que possam acordar todo dia de manhã com a energia transformadora dos de 20.

* Ah. O vídeo que comentei sobre atletas que se superaram (foi ao ar ontem): http://www.youtube.com/watch?v=eAaNEMJeC7U

** e o link da já consagrada fala do Marcelo Cardoso no TEDx Laçador, no ano passado. Também fala sobre propósito :) http://www.youtube.com./watch?v=yXKZjbqq_zU

terça-feira, 2 de julho de 2013

Assim, high touch.

"Conversando a gente se entende". Esta frase me acompanha há tempos e tem feito cada vez mais sentido. Não só pela delícia que é um "dedo de prosa", como dizem meus amigos mineiros, mas porque é nas conversas que nos reencontramos conosco. Como quem dá aula e aprende cada vez mais sobre o assunto, quando colocamos nossas ideias pra fora estamos nos enxergando espelhados no outro. Falar sozinho também serviria, não fosse a importância do eco daquilo que sai da gente. Em tempos de redes sociais, nunca me senti tão próxima das pessoas. 
Hoje minha professora de inglês trouxe para nosso bate-papo - com café - um texto muito bacana sobre as redes sociais e seu poder de transformação. O interessante do texto é que ele mostra, com bons argumentos, que o tipo de interação que acontece hoje nos Facebooks da vida nada mais são do que os encontros que sempre aconteceram em cafés. Há tempos pensadores, artistas e criativos costumam promover encontros em lugares públicos para debaterem, trocarem ideias e, quem sabe, "até tomarem um café". As redes sociais são os próprios cafés, só que virtuais. O mesmo tipo de interação que acontece on line continua acontecendo off line. E é aí que mora a beleza da coisa. Não é uma coisa ou outra. É a soma das duas. O José Carlos Teixeira Moreira costuma falar em high tech e high touch (tecnológico ou fofinho, com toque). Pode ser real e virtual, presencial e à distância, o fato é que por mais que as redes articulem ideias, elas só acontecem de fato e "tomam corpo" quando as pessoas se encontram, se enxergam, se tocam, se escutam ressoando nas vozes dos outros. E não adianta fazer de conta que as redes não existem, proibir acesso nas empresas. Se não podemos derrotá-los, nos juntemos. Só que nas redes, as identidades que aparecem têm filtros e máscaras que muitas vezes acabam caindo nas interações de verdade. São perfeitas para encontrar pessoas distantes, espiar a ideia de uma ou outra criatura e até para substituir os noticiários que, afinal, são mais espontâneos e instantâneos nos teclados "facebookianos". Mas há um limite. De caracteres, de tempo, de espaço físico até. Espaço este que se dilui em conversas sem pressa, regadas a cafés, chás e espaços aconchegantes de interação. Vivemos em ciclos e utilizamos a tecnologia como ferramenta para expressar o nosso tempo, felizmente. Mas como seres humanos que somos, precisamos de contato, de olho no olho. Daqui a cem anos, espero, nossos netos também se sentirão assim, aconchegados e reconhecidos quando estiverem reunidos e forem ouvidos, em conversas ao pé do fogo, em rodas de amigos, cafés ou em espaços quaisquer onde possam exercer sua condição atemporal de serem pessoas únicas em essência.

* Ah, o texto que comentei: 

sábado, 29 de junho de 2013

Revoluções internas.

Estou há mais de duas semanas sem escrever no blog. Não por falta de vontade ou de assunto. Mas por respeito ao silêncio. Grandes revoluções aconteceram na minha vida neste período, mas outras tantas, infinitamente maiores, têm acontecido com a Humanidade, especialmente no Brasil, e eu ainda não tinha encontrado o fio da meada que as une. Pois bem, ontem no fim da tarde, em mais um café com conversa, alguns fios fizeram sentido e eis que estou aqui para falar sobre eles.
No dia seguinte ao meu último post, fiz uma oficina de redação com tricô com duas amigas queridas e corajosas, a Tania e a Florentine. Foi no dia 13, dia em que uma das maiores manifestações se articulava. Alguns corajosos aceitaram nosso convite e vieram tramar conosco histórias de vida. Até fizeram tricô, mas, entre um e outro pedaço de lã, surgiram também pedaços textuais que foram verdadeiros resgates. Provocamos a eles – e a nós, a se apresentarem com cinco anos de idade, trazendo elementos que fomos tecendo ao longo do encontro. Saíram textos lindos de pessoas que não necessariamente sabiam escrever. Intenso e de uma entrega ímpar. Dias depois, em Viamão, RS, tive a felicidade de falar no TEDx Laçador sobre “Desconstrução”. Na outra semana, estive com alguns outros tantos “desconstrutores”, num curso que tinha tudo para ser business e deu aula de reconexão e leitura interna.
Ontem, dia 28, fez nove meses que reunimos 42 mentes inquietas, num encontro totalmente às cegas onde falamos sobre o que nos move e o que vinha nos incomodando. Incômodos que gritavam e não encontravam eco. O Jean Bartoli, um dos filósofos que eu amo na vida, falou, neste curso da semana passada, sobre a dor que estamos vivendo com estas manifestações. Que ela pode ser a dor do parto ou a dor da hora final. Parece que chegou a hora de darmos à luz a algo que vinha nos incomodando.
Fazendo um daqueles exercícios do “e se”, fico pensando “e se os atos de vandalismo não estivessem desviando nossa atenção”, o que sobraria?

Um dos pedaços da minha fala no TEDx teve a ver com um vazio existencial que tenho assistido nas pessoas. Dos presidentes de empresas, que “chegaram lá”, aos jovens inquietos de 20 e poucos, que não têm a pretensão de chegar a este lugar que seus pais estão, o que os une é o mesmo vazio. De propósito, de sentido pra vida. Gastamos nossos tempos correndo para pagar contas e desencontramos o fio da meada das nossas próprias existências. Felizmente, ainda que com dor, recomeçamos a jornada. E estamos nos reencontrando. O Bartoli traçou toda sua fala em “voltar a beber na própria fonte”. O Igor Oliveira, amigo querido que não é filósofo, mas, felizmente, me faz parar para pensar toda hora, falou em revoluções “gandhianas”. “Seja gandhiano ou vença”, disse ele. Não acho que exista uma guerra. Muito menos que ela seja contra outro alguém. O maior de todos os desafios está em parar de apontar o dedo para fora e começar a olhar para dentro. A resgatar, um a um, os fios que dão sentido à nossa existência. Do reencontro com este grande e lindo tecido – que é único em cada um de nós, é que surgem as verdadeiras grandes revoluções.

* quem quiser conhecer um pouquinho mais do Bartoli, espie o blog dele :)
http://www.jeanbartoli.com.br/

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Assim, bem real.

Eu quero um amor bem real. De carne, osso e sorriso no rosto. Que me aceite por inteiro, sem maquiagem, com TPM, com dúvidas e medos existenciais. Quero um amor que não me julgue, que me apoie, que me coloque pra cima e me faça sentir a mulher mais linda do mundo. Quero um amor que goste de viajar. Não aquelas viagens perfeitas e programadas. Mas aquelas que a gente vira a rua quando dá vontade só pra ver o que tem no outro canto da cidade. Quero um amor que acorde alegre. Calado pode. Mal humorado, não. Que tenha um propósito de vida e que vá atrás dele com paixão. Quero um amor contagiante. Que chegue e ilumine o ambiente. Uma criatura imperfeita mas crítica para rever alguns conceitos. Alguém que me ouça,  que aceite deixar o iphone carregando no banheiro pra não cair em tentação de dar uma espiadinha no meio da noite. Quero um amor bem simples, sem frescuras. Que entenda que eu gosto de lugares mimosos e que, mesmo sem entender bem disto, se esforce pra me levar num ou outro sempre que dá. Quero um amor divertido, meio palhaço, dançarino, contador de causos. Um amor que queira construir uma família. Que, aliás,  ache lindo construir uma família. Quero um amor bem quentinho, que encoste o pé em mim no meio da noite, que se enrosque em mim e que não se importe de ter as cobertas roubadas, mesmo nas noites frias. Um amor inventor, meio professor pardal, que não se aperte, não se deprima, que não perca a esportiva. Um amor escabelado, tarado, intenso, mas que também curta ficar em casa o domingo inteiro assistindo filme com pipoca. Que me busque quando eu passar da conta com as amigas - e que leve uma garrafa de Coca embaixo do braço na operação de resgate. Quero um amor que me dê flores. Rosas vermelhas. E que chegue com elas embrulhadas embaixo do braço no meio de uma semana sem data ou motivo para comemorar. Aliás, quero um amor que esqueça as datas óbvias. Mas que me lembre o quanto sou tudo de bom assim, do nada. Que me leve pão com mel na cama de um jeitão meio tosco. Que me deixe dormir mais um pouco. Quero um amor sem fórmulas, sem cavalo branco, sem caber em caixas, sem agradar ninguém, que não a nós dois. Quero um amor bem amado. E que ele chegue na hora certa. E quando a hora chegar, eu vou saber. Opa. Chegou :)

terça-feira, 11 de junho de 2013

Diga-me como respiras.

Hoje eu participei de uma oficina que tinha tudo pra dar errado e deu muito certo. Aconteceu onde não deveria ter acontecido, tinha menos gente que o esperado (o temporal não ajudou) e foi muito na medida. Estavam exatamente as pessoas que tinham que estar e acabou ganhando ares de protótipo de uma coisa bem bacana que tem tudo para dar bons frutos logo ali na frente. Ah. Foi uma oficina de reconexão. Isto mesmo. Reaprender a se conectar consigo para, então, se conectar com o todo. Ares de yoga, temática musical inesperada e pequenos grandes aprendizados em formas de lembretes, simples e fundamentais. Um dia eu conto mais detalhes :)
No meio do encontro, uma história chegou para ilustrar a importância da consciência nas coisas que fazemos. Já tinha escutado, não sei de quem, mas adorei reouvi-la e acho que faz muito sentido. Não importa se foram os hindus que contaram ou se trata-se de uma lenda de um monge budista. Sei que conta que cada criatura que chega na Terra tem um número X de respirações que nasce com ela. Este número não pode ser mexido. É seu. Tão pessoal quanto uma impressão digital. Não temos o menor poder de transformar este número. Mas podemos medir sua intensidade. Posso escolher respirar às pressas, engolindo o ar enquanto tento conversar e me desdobrar em malabarismos ou posso respirar as mesmas respiradas calma e lentamente, sorvendo o ar com requintes de um sommelier. Não está super na moda degustar vinhos, chás, chocolates? Por que não degustar o ar? Além de diferente e divertido, dá até pra ganhar uns anos. Diga-me como respiras que te digo quanto tempo viverás.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

As cobras do caminho.

Quando eu era pequena, morava numa fazenda. Era a irmã do meio. Além dos meus dois irmãos, às vezes tínhamos a permissão de levar também para nossa casa um ou dois amigos. Éramos, portanto, uma verdadeira gangue, com idades em escadinha. Diversão garantida. Hoje eu tive um flash muito forte de uma de nossas aventuras. Não sei de onde saiu, mas ele veio, com uma clareza de dar saudade. Vizinha à nossa casa, no campo do lado, e bem longe (pra mim, que era pequena, beeeeem longe mesmo - não faço ideia de que distância), ficava a casa do nosso tio, já falecido, onde morava minha tia. Nas férias, os primos vinham da capital, Porto Alegre, e nos encontrávamos todos. Às vezes íamos de carro até lá, quando minha mãe nos levava pela estrada. Mas a aventura de verdade acontecia quando íamos a pé, sozinhos, atalhando pelo mato. Quase não dormíamos na noite anterior, preparando nossa grande aventura. Dos fundos da nossa casa, caminhávamos um campo grande (e limpo), numa descida muito íngrime que dava numa sanga (um córrego) no meio do mato fechado. Do outro lado, já na subida, tinha uma grande plantação, geralmente de milho, pela qual tínhamos que passar para chegar na casa da tal tia, a tia Adi. A grande adrenalina acontecia justo na passagem da sanga. Por causa do "perigo das cobras". Cresci ouvindo minha mãe falar o quanto eram perigosas. E eram. Na região tinham cobras realmente venenosas, com veneno letal e rápido para agir antes de chegarmos na cidade. Ou seja, não havia chance se fôssemos picados. Felizmente, fora algumas histórias bem pitorescas, nunca houve nenhum acidente. Mas sabíamos que elas estavam ali, à espera de um descuido nosso, principalmente no horário de sol quente quando, segundo nossa mãe, elas saíam para passear (belo artifício para que não fugíssemos da "hora da sesta"). Como eu ia dizendo, o ápice da ida à casa da tia pelo mato era atravessar a sanga. Alguns poucos metros de pura emoção porque justo ali havia a grande chance de "darmos de cara" com alguma cobra. Passávamos voando por aquele pedaço do caminho. Meu irmão com um pau na mão, todo machão, e nós, as meninas, aos gritinhos. Chegar ao outro lado não tinha preço. Ou melhor, tinha. Tinha até um gosto. Depois de mais alguns bons metros de plantação, eis que chegávamos à casa da tia e nosso heroísmo era recompensado com um delicioso pote de figada (doce de figo). Não existia figada igual àquela.
Lendo o blog da Bia Del Picchia e a Cris Balieiro (O feminino e o sagrado) e resgatando a jornada do herói de Campbell, me dou conta do quanto estas pequenas histórias marcam nossas vidas. E acabam moldando nossas personalidades. Crescemos e os tais caminhos para o pote de figada cresceram conosco. As cobras seguem por aí, agora travestidas de trânsito, projetos e até com nomes de gente, nas empresas, nas nossas relações. Algumas venenosas de verdade. Outras, nem veneno têm, mas seguem mexendo com nossa imaginação. Pois são elas, da cor que tiverem e do tamanho que forem, que nos ensinaram, e continuam a ensinar, que as nossas vidas não são só flores. As cobras, os nossos medos, estão ali só para sinalizar e para nos lembrar que somos nós os responsáveis pelas nossas vidas. Seres da natureza que são, estão, na maior parte das vezes, apenas assustadas. Dão o bote, picam, quando estão acuadas. Mais do que fugir delas, estejamos atentos às que aparecem nas nossas vidas. E agradeçamos. São elas que nos trazem mais adrenalina e um tempero de real à nossa existência. Como na jornada do herói de Campbell, são as batalhas que reenergizam nossas histórias e nos permitem recontá-las, depois, fortalecidos. E assim, de aventura em aventura, vamos vivendo e aprendendo. E nos tornamos seres mais completos. Há um plano B? Sempre há. Neste caso,  ficar em casa e não ultrapassar a sanga. Sem o risco das cobras. E também sem o gosto da aventura e a delícia da chegada. Todos os dias fizemos uma ou outra escolha.

* neste post do blog da Bia e da Cris, que eu citei, tem um videozinho lindo contando, de forma bem lúdica,  a jornada do Herói de Campbell. Vale a pena espiar :) 
http://www.ofemininoeosagrado.blogspot.com.br/2013/06/o-que-faz-um-heroi.html

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Quem nunca.

Dia destes eu assisti num filme um diálogo clássico da filha cobrando a mãe por ter ficado com seu pai apesar dele tê-la traído. Rancorosa, magoada, ela, a filha, comentou que a mãe não tinha o direito de ter feito de conta que nada aconteceu. Que não poderia ter ficado com ele e que se envergonhava por todos saberem da história, menos ela. Eis que a mãe, no auge de sua maturidade (e beleza), conta a ela que optou por ficar com o marido apesar do erro dele, mas acima de tudo porque optou por olhar para tudo de bom que eles tinham construído juntos ao longo de muitos anos. Longe de querer defender as traições e seus traidores (eu acho que são os que mais sofrem), acho muito difícil conseguirmos fazer este exercício. O de olhar o todo justo em situações extremas. Hoje tive uma conversa muito franca com algumas pessoas sobre erros e suas repercussões. Os erros são chatos, destroem nossas auto-estimas e tiram como um tampão toda uma credibilidade que construímos a conta-gotas. Mas, humanos que somos, erramos. Se não aconteceu, vai acontecer. Se já aconteceu, pode acontecer de novo. Ok, de preferência, que sejam erros novos. Repetir o mesmo erro é perder tempo. Na verdade, se fôssemos realmente perfeitos, desconfio que não teríamos motivos para estarmos aqui. Nas nossas pequenas imperfeições moram, às vezes, grandes belezas. A sarda do rosto que alguns tanto odeiam são, muitas vezes, o seu charme. O ponto não é não errar, mas saber o que fazer diante do erro, agindo como gente grande e enfrentando o bicho de frente. Tão fácil se queixar, colocar a culpa no outro, choramingar, fazer de conta que nada aconteceu, esconder-se embaixo da cama. Quantos de nós já não assistiu de camarote crises ocultas intocáveis que, tempos depois, viraram grandes e desastrosas tempestades? Mexer na ferida, conversar sobre o assunto e chegar na sua raiz são males (ou bens) necessários para a nossa evolução. Mas como fazer sem taxar, julgar, machucar ou bloquear? Que atire a primeira pedra quem nunca.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Não tá fácil!

Sabe quando você chega em um lugar que não conhece ninguém e precisa puxar um assunto para criar um link e uma conversa? Pois bem, geralmente acabamos falando sobre o tempo. “Tá frio.” “Nossa, quanta chuva!”. No elevador sempre acontece. Em São Paulo, vale falar do trânsito: “Peguei um engarrafamento sem fim para chegar aqui!” “Nossa, eu também!”. Mas se tiver um pouco mais de tempo e quiser um tema que não tem erro nunca, queixe-se da vida. Isto mesmo, resmungue, reclame e, em poucos segundos, terá encontrado eco no outro. “Não tá fácil” pode ser um bom começo. “Na luta”, “Estou destruído hoje” ou “Não aguento mais meu emprego” também são infalíveis. Parece que existe um imã nos seres humanos quando este tipo de assunto aparece. Uma comoção coletiva e uma sutil competição de quem é mais coitado na história. Se você não se queixar um pouco, meu amigo, sequer será respeitado. A última edição da Vida Simples falou sobre a grama verde do vizinho e sugeriu que as nossas também podem ser verdes. Eu entendo que não trata-se de enxergar o mundo cor de rosa, mas optar por aquilo que é bom e isolar o que não faz sentido para parar de sofrer. Ou até aprender com a desgraça que chega para nos alertar. Quem não conhece alguém que renasceu melhor depois de uma doença grave? Os tais reforços positivos fazem sentido pra mim. Eu acredito muito que quando estamos com uma nuvem negra sob nossas cabeças, a tempestade vem e, com ela, um monte de coisas desordenadas e estabanadas. Que quem tem muito medo de bicho papão acaba encontrando-o embaixo da cama. Ainda que todos nós tenhamos problemas, a opção de sermos vítimas ou protagonistas é nossa. De mais ninguém. Dentro daquela linha “tô meio cansada de gente assim”, ando meio revoltada com as choramingações alheias. Mas, sociável que sou, confesso que, pra não ficar chato, até dou uma grunidinha vez ou outra. Senão o papo nem começa. “Dia cinza este, não?”

terça-feira, 4 de junho de 2013

Guru de dentro.

Eu escrevi aqui no blog certa vez a história que um indiano me contou de que Deus se esconde dentro da gente e, por procurarmos por ele em toda parte, o tempo todo, esquecemos de buscar justo dentro de nós, onde ele vive, afinal. Somos nossos próprios deuses e, portanto, responsáveis por nossos céus e infernos. Tem a ver também com o tal figura do líder, tão polêmica dentro e fora das empresas. Estou cada dia mais cética com a busca de algumas pessoas por um "ente" especial que diria a elas o que fazer, quando fazer, como fazer. Uma criatura acima da média, "dona da verdade," capaz de, além de pensar no seu destino, determinar o dos outros também. Quantas vezes tentamos entregar nossas vidas nas mãos de alguém por falta de coragem de a tomarmos em nossas mãos? Lamento. Ninguém, que não nós mesmos, com nossas pequenas grandes escolhas, pode construir a nossa história. Somos nós que, conscientemente ou não, fizemos escolhas, erramos, acertamos e nos tornamos quem somos. Mais que líderes e mestres, quero estar perto de pessoas felizes e realizadas que, livres que são, fazem aquilo que sentem e vibram com suas escolhas. Por estarem assim tão leves, acabam inspirando, provocando e tirando de nós boas coisas que adormeciam nos nossos medos infantis. Elas não ditam, não mandam, não discursam. Tampouco se queixam. Não querem ser exemplo e não fazem o que fazem para agradar ninguém, que não a si mesmas. Erram e acertam porque estão vivas. E porque se permitem experimentar coisas diferente do padrão, são o que são, de dentro pra fora. E isto já é muito.

domingo, 2 de junho de 2013

Apenas cinco.

Ontem a tarde foi cinza e chuvosa. E meu marido aproveitou para colocar em dia aquela interminável lista de filmes que os amigos dos amigos indicam e nunca conseguimos ver. Nem o acompanhei. Aproveitei a paz do recinto para colocar minhas coisas em ordem. Mas, curiosa que sou, quis saber dos enredos. O último dele contava a história de uma menina que "fez América na capital", ou seja, deixou a casa dos pais bem cedo e foi embora começar uma nova vida na cidade grande. Lá se descobriu, construiu uma carreira, uma vida. Casou, conquistou muita coisa bacana e, num belo dia, sofreu um acidente e perdeu a memória. O fim da meada da história é justamente a tentativa de resgate dela por ela mesma. Voltou para a cidade de origem, reencontrou pessoas e, aos poucos, foi remontado as peças do quebra-cabeças da própria vida. Não sei como terminou o filme, nem se ela recuperou a memória e foi feliz para sempre. Mas fiquei brincando de exercitar o "e se" e pensei o que eu faria se algo assim acontecesse comigo. Claro, não teria a consciência de buscar um caminho lógico assim mas, tateando, chegaria a algumas pessoas que resgatariam fatos que, enfim, me contariam um pouco de quem eu me tornei até o presente momento. O exercício seguiu e cheguei a um pequeno desafio pessoal. E se eu fosse escolher cinco pessoas, somente cinco, que pudessem, com muito cuidado e propriedade, reapresentar a Andréa a ela mesma, quem seriam elas?  Resgataria algum amigo de infância que me contaria causos da Andréa estudante? Alguém da faculdade, certamente, minha irmã, provavelmente. Quem mais? Como numa edição de um filme, a escolha das cenas faz toda a diferença no resultado final. Algumas falas diriam muito de um alguém que fui e ficou pra trás. Outras, ainda que atuais, jamais trariam pedaços ocultos que só os bem íntimos puderam viver comigo. Cada conjunto de cinco, dependendo da configuração que eu montasse, traria faces minhas muito próprias, todas elas diferentes entre si. E ainda assim, todas muito minhas. Assim é o filme da vida. Feito de pedaços de quem pensamos que somos e de outros tantos que as pessoas nos ajudam a ser, em suas falas, percepções, em suas lentes que também moldam. Fica o convite. E se você fosse escolher cinco, apenas cinco, quem seriam?

* By the way, pra quem quiser saber o fim "desta história", o nome do filme é The Wov :)