Tem um monte de gente que eu curto, admiro, gosto de ler, ouvir. O Eduardo Galeano é um deles. Descobri um videozinho recente, direto da Praça Catalunya, na Espanha, onde ele fala, entre outras coisas, sobre o conceito de entusiasmo. Do grego, tem a ver com "ter os deuses dentro". Já comentei por aqui de um indiano que me contou que Deus vive dentro da gente. E já falei sobre "voltar a beber na própria fonte". Tudo a mesma coisa. Tudo faz muito sentido pra mim. Ora, se os deuses vivem dentro da gente, não dá pra tentar enfiá-los "goela abaixo" nos corpos de outras pessoas. Eles já estão lá, adormecidos. Cabe a nós, se quisermos, tentarmos despertá-los. Já nascemos empoderados. Temos todas as ferramentas. Mas a escolha de usá-las ou não é somente nossa.
Nunca vi tanta gente desanimada, reclamando. Também nunca encontrei tanta gente "entusiasmada" por aí. Gente que tem tomado as rédeas da própria vida e recriado suas histórias. Que tem construído legados. Este é outro conceito que eu gosto muito. E que aprendi com o Nuno, um português amigo também já citado em posts anteriores. Segundo o que ele me contou, morremos quando deixamos de ser lembrados. Não quando nosso corpo vai embora. Quando construímos algo tão bacana em vida, que somos citados de forma recorrente em conversas, mesmo quando já não estivermos por aqui.
Nesta semana encontrei uma turma "entusiasmada" de jovens, num projeto lindo de uma empresa de tecnologia. Engenheiros, ex-bancários, todos podiam estar curtindo uma aposentadoria generosa. Mas decidiram empreender. Não contentes com isto, têm criado encontros inovadores dentro da empresa. Fui chamada como "inspiradora" de um deles. Tem a ver com novos modelos de educação e com a descoberta de novos talentos. Colocaram 9 meninos (e uma menina), de 12 a 18 anos, classes sociais diferentes, vivências diversas, numa sala por algumas semanas (uma manhã por semana) para aprenderem alguns conteúdos e para pensarem nos seus futuros. Mostraram o mercado, contaram o bastidor de uma empresa de verdade e os ajudaram a enxergar o futuro. Quem deu as aulas? Os funcionários. Quem ajudou no fechamento? Euzinha. Uma delícia. Fiz com eles uma dinâmica de resgatar, num texto escrito a mão (eles não têm o hábito de escrever), cinco pessoas que foram fundamentais para chegarem ali naquele momento. Criaturas que foram definitivas na construção das suas personalidades. Apareceram, além de mães, pais e amigos, o Bob Dylan, o Steve Jobs, um tio amoroso que sempre jogou videogame com um deles e até a figura do game Pacman. Fiz o exercício mentalmente enquanto eles escreviam. E me revi crescendo e formando quem eu sou. Apareceu, claro, o meu pai, sempre uma referência intelectual pra mim, que me contou que eu escrevia bem, que carregava minhas poesias recortadas na carteira. Nunca morreu na minha memória. Ao mesmo tempo, pegando carona com o Nuno, me pego pensando em como serei lembrada daqui a alguns anos, quando não estiver por aqui. Serei, afinal, lembrada? Por quem? Em que contexto? Nascer e morrer não são escolhas que possamos controlar. Mas com 8 ou 80, temos sempre pela frente todas as possibilidades. Se depender dos meus deuses internos, animados como são, tenho muito trabalho pela frente. Tomara deixar na memória de alguns um pedacinho deste mundo novo que vem aí.
O link pro vídeo do Galeano que comentei. Conta que estamos parindo algo novo". "Hay otro mundo que nos espera", disse :) http://www.youtube.com/watch?v=j2IYgytRs90
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Essencial.
domingo, 21 de julho de 2013
Amigo dos sonhos.
Ontem eu recebi uma série de mensagens bem lindas sobre o dia do amigo. E fiquei pensando, aqui comigo, no verdadeiro significado destas pessoas na vida da gente. Família a gente não escolhe. Ou melhor, escolhe, em outro plano. E estamos aqui para aprender e para crescer com ela. Mas os amigos, estes são, sim, fruto de nossas escolhas bem terrenas. Assim, pé no chão e com uma boa dose de sexto sentido no pacote. Ontem, justo no dia do amigo, eu tive uma prova de amizade que não tem preço. Fui acolhida, sem julgamentos, por uma grande amiga que apenas me cuidou e me ouviu. Me deixou dormir e esteve ali, inteira, caso eu precisasse. Uma criatura que não mede palavras para me "trazer de volta à realidade" quando eu saio demais da caixa e que sabe me dar empurrões quando estou a um passo de uma grande decisão. Não passa a mão na cabeça, mas sabe dar colo como ninguém. Pra mim, pra minha filha e pro até pro maridão. Fico pensando nos nossos papeis como pais, como amigos. E no quanto dar a real faz parte da construção de homens e mulheres íntegros. Dizer sim sempre, elogiar sempre e achar tudo lindo não é tão lindo assim. Mas qual a medida para mostrar o outro lado sem puxar para baixo, sem desestimular ou bloquear? No curso que eu fiz na semana passada - e que comentei no blog, o "The artist way", falamos sobre isto. Sobre o quão valiosos são os sonhos das pessoas. E de que não temos o direito de julgá-los. Acho que amigo, em essência, tem a ver com isto. Com sonhar com a gente, fazer parte do sonho, ajudar a construir o sonho, vibrar com ele, festejar, compartilhar. E se um dia, por algum motivo, algum deles virar pesadelo, ele vai estar ali do lado pra nos segurar.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
The artist way
Ontem eu reencontrei minha alma artista num delicioso encontro onde corajosos "seres humanos normais" se propuseram a se entregar. Foi mediado por uma menina de nome Flor, cujo olhar brilha ao organizar este tipo de encontro. Alguns bons amigos, curiosos, toparam e também foram. O tempo voou e, quando vimos, eram 23h. A proposta do encontro foi, inspirados no livro "The artist way", experimentarmos algumas situações bem simples de reconexão com nossa alma criativa, sem aquelas vozes críticas tão duras, sem medos e com grande alegria. E assim o foi. Éramos uns 15 e, ao final, foi como se fôssemos centenas, tamanha foi a lembrança que tivemos de pessoas que fizeram - e ainda fazem diferença nas nossas vidas. Aqueles amigos de infância que nos ajudaram a decidir a profissão de hoje, aqueles não tão amigos, que nos bloquearam naquilo que suspeitávamos sermos bons, a família, os colegas e ainda os desconhecidos ali presentes, que trouxeram dicas assim, na hora, e acabaram nos ajudando a desenhar novas rotinas para nossas vidas. A proposta do livro é bem simples: durante 12 semanas o leitor deve se propor a fazer uma atividade diferente por dia para, de forma bem leve, libertar o artista que vive aprisionado nos nossos julgamentos internos. Surgiram momentos únicos e difíceis de descrever. E insights bacanas. Dentre eles, a sutil diferença entre o medo e a curiosidade, a certeza de que todos somos todos gênios e a percepção de que se formos esperar o dinheiro que gostaríamos, talvez não façamos as coisas que sonhamos. "A head full of fears has no space for dreams", dizia um cartaz. Não precisaria um encontro como este para que cada um dos presentes pudesse, com uma boa dose de disciplina, seguir os passos do livro e, ao final de 12 semanas, se redescobrir. Mas, como uma boa defensora das conversas circulares, não tenho dúvida de que aquelas pessoas tinham que estar ali e que o círculo enriqueceu muito as pequenas grandes vivências de cada um dos presentes. Não teríamos conhecido um casal aventureiro que recém chegou de volta ao Brasil, sedento por um boteco com amigos, depois de dois anos de volta ao mundo em busca de sentido pras suas vidas. Não teríamos encontrado meninas inquietas que recém largaram os empregos, nem as que, ainda nos seus, estão a um passo de pedirem pra sair. Não teríamos torcido para a máquina fotográfica de uma moça chamada Diva a acompanhasse com calma nas próximas corridas, em caminhadas relaxadas depois das provas. Nem teríamos descoberto que um engenheiro focado em TI é tão hábil para fazer um origami de papel em forma de pássaro. Não teríamos, juntos, criado mil e um usos para o rolo do papel higiênico, nem brincado com massinha de modelar nem aprendido a colocar numa cestinha, toda sexta-feira todos os grandes feitos da semana. Beber da própria fonte, como disse o querido filósofo francês Jean Bartoli, é fundamental. Mas bebericar em fontes externas é também bem rico e renovador. Um brinde às almas artistas!
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Assim, um propósito.
Há umas duas semanas eu estive com o
Marcelo Cardoso que, entre um assunto e outro, falou da importância
de se ter um propósito na vida. Disse ele: “se você não tem um
propósito de vida, seu propósito pode ser o de encontrar o seu
propósito de vida”. Tem um outro ditado bem popular que fala mais ou menos a mesma coisa. "Se você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve." Tenho acompanhado muita gente sem propósito
por aí. Gente que acorda de manhã e não tem a menor ideia do
motivo pelo qual está por aqui. Não que seja fácil. Quem dera o
fosse. Mas ter uma mínima ideia do que te move parece, ao menos,
facilitar um pouco algumas decisões bem simples. Falava com um amigo
hoje que me relembrou o quanto o tal propósito ajuda a clarear as
nossas ações diárias. Para um estrategista de guerra, por exemplo,
saber que o objetivo a ser alcançado era dominar tal território num
tempo X dava a ele uma relativa tranquilidade de acordar a cada dia
muito focado em conseguir mais um passo daquela jornada, ainda que
longa. Mesmo que tivesse que esperar por meses no frio, parado, sabia
que fazia parte de um plano maior. Guerras ou conquistas
territorialistas à parte, este olhar para dentro e encontrar um
rumo, ajuda, e muito, a termos coragem de sair da cama, mesmo
naquelas manhãs frias de inverno. Estou bem convencida de que esta
vontade que vem de dentro, este drive que move algumas pessoas, não
tem a ver com perfil, idade, classe social. Tem a ver com energia
vital vibrante. Parece, inclusive, que aqueles que enfrentam muitos
obstáculos vêm “de fábrica” com uma dose extra de vontade.
Choramingam de menos e realizam muito mais. No dia em que conduzimos
a oficina de tricô com redação estávamos todos meio apreensivos
com nossa capacidade de tricotar. Eu não o fazia há pelo menos 30
anos. E muitas pessoas nunca haviam tocado em agulhas. Eis que uma
menina linda e sorridente deu uma verdadeira aula a todos nós e foi
quem puxou a turma a começar o tal treino. Detalhe: ela não tem uma
das mãos. E assim, do jeito que dava, contou um truque que aprendera
para dar o primeiro laço e iniciar o processo de colocar a linha na
tal agulha. Saiu sorrido e tricotando e ainda ajudou todo mundo a
derrotar seus medos. Mimimi de menos e propósito de vida demais.
Hoje este mesmo amigo que falou comigo sobre os estrategistas, me
apresentou a um vídeo que acabou de sair do forno. Um clipe que o
pessoal do Fresno fez com atletas com grandes limitações. Físicas,
e não emocionais. Chama-se "Maior que as muralhas." Com uma garra de fazer inveja, eles souberam se
reinventar e, assim, dia após dia, se superaram e construíram
histórias incríveis. Preferiram enxergar a metade cheia do copo. O
esporte tem disto. Um objetivo a ser alcançado. Melhor ainda quando
tem a ver com superar a si mesmo, e não necessariamente com “vencer
alguém”. Vencer nossos inimigos internos é sempre mais
desafiador. Ao que parece, o trabalho do grupo tem um quê disto. De
apresentar estas e outras histórias a jovens meio “sem propósito”.
Espero que estas e outras iniciativas também cutuquem aqueles que
não são mais assim, tão jovens. Que, além dos de 20, os de 60
possam se reinventar. E se ainda não encontraram seu propósito, que
usem toda sua bagagem acumulada como atalho. Para que possam acordar
todo dia de manhã com a energia transformadora dos de 20.
* Ah. O vídeo que comentei sobre atletas que se superaram (foi ao ar ontem): http://www.youtube.com/watch?v=eAaNEMJeC7U
** e o link da já consagrada fala do Marcelo Cardoso no TEDx Laçador, no ano passado. Também fala sobre propósito :) http://www.youtube.com./watch?v=yXKZjbqq_zU
* Ah. O vídeo que comentei sobre atletas que se superaram (foi ao ar ontem): http://www.youtube.com/watch?v=eAaNEMJeC7U
** e o link da já consagrada fala do Marcelo Cardoso no TEDx Laçador, no ano passado. Também fala sobre propósito :) http://www.youtube.com./watch?v=yXKZjbqq_zU
terça-feira, 2 de julho de 2013
Assim, high touch.
"Conversando a gente se entende". Esta frase me
acompanha há tempos e tem feito cada vez mais sentido. Não só pela
delícia que é um "dedo de prosa", como dizem meus amigos mineiros,
mas porque é nas conversas que nos reencontramos conosco. Como quem dá aula e
aprende cada vez mais sobre o assunto, quando colocamos nossas ideias pra fora
estamos nos enxergando espelhados no outro. Falar sozinho também
serviria, não fosse a importância do eco daquilo que sai da gente. Em tempos de
redes sociais, nunca me senti tão próxima das pessoas.
Hoje minha professora de inglês trouxe para nosso bate-papo -
com café - um texto muito bacana sobre as redes sociais e seu poder de
transformação. O interessante do texto é que ele mostra, com bons argumentos,
que o tipo de interação que acontece hoje nos Facebooks da vida nada mais são
do que os encontros que sempre aconteceram em cafés. Há tempos pensadores,
artistas e criativos costumam promover encontros em lugares públicos para
debaterem, trocarem ideias e, quem sabe, "até tomarem um café". As
redes sociais são os próprios cafés, só que virtuais. O mesmo tipo de interação
que acontece on line continua acontecendo off line. E é aí que mora a beleza da
coisa. Não é uma coisa ou outra. É a soma das duas. O José Carlos Teixeira
Moreira costuma falar em high tech e high touch (tecnológico ou fofinho, com toque). Pode ser real e virtual,
presencial e à distância, o fato é que por mais que as redes articulem ideias,
elas só acontecem de fato e "tomam corpo" quando as pessoas se
encontram, se enxergam, se tocam, se escutam ressoando nas vozes dos outros. E
não adianta fazer de conta que as redes não existem, proibir acesso nas
empresas. Se não podemos derrotá-los, nos juntemos. Só que nas redes, as
identidades que aparecem têm filtros e máscaras que muitas vezes acabam caindo
nas interações de verdade. São perfeitas para encontrar pessoas distantes,
espiar a ideia de uma ou outra criatura e até para substituir os noticiários
que, afinal, são mais espontâneos e instantâneos nos teclados
"facebookianos". Mas há um limite. De caracteres, de tempo, de espaço
físico até. Espaço este que se dilui em conversas sem pressa, regadas a cafés,
chás e espaços aconchegantes de interação. Vivemos em ciclos e utilizamos a tecnologia
como ferramenta para expressar o nosso tempo, felizmente. Mas como seres
humanos que somos, precisamos de contato, de olho no olho. Daqui a cem anos,
espero, nossos netos também se sentirão assim, aconchegados e reconhecidos
quando estiverem reunidos e forem ouvidos, em conversas ao pé do fogo, em rodas
de amigos, cafés ou em espaços quaisquer onde possam exercer sua condição
atemporal de serem pessoas únicas em essência.
* Ah, o texto que comentei:
sábado, 29 de junho de 2013
Revoluções internas.
Estou há mais de duas semanas sem
escrever no blog. Não por falta de vontade ou de assunto. Mas
por respeito ao silêncio. Grandes revoluções aconteceram na minha
vida neste período, mas outras tantas, infinitamente maiores, têm
acontecido com a Humanidade, especialmente no Brasil, e eu ainda não
tinha encontrado o fio da meada que as une. Pois bem, ontem no fim da
tarde, em mais um café com conversa, alguns fios fizeram sentido e
eis que estou aqui para falar sobre eles.
No dia seguinte ao meu último post, fiz uma oficina de redação com tricô com duas amigas queridas e corajosas, a Tania e a Florentine. Foi no dia 13, dia em que uma das maiores manifestações se articulava. Alguns corajosos aceitaram nosso convite e vieram tramar conosco histórias de vida. Até fizeram tricô, mas, entre um e outro pedaço de lã, surgiram também pedaços textuais que foram verdadeiros resgates. Provocamos a eles – e a nós, a se apresentarem com cinco anos de idade, trazendo elementos que fomos tecendo ao longo do encontro. Saíram textos lindos de pessoas que não necessariamente sabiam escrever. Intenso e de uma entrega ímpar. Dias depois, em Viamão, RS, tive a felicidade de falar no TEDx Laçador sobre “Desconstrução”. Na outra semana, estive com alguns outros tantos “desconstrutores”, num curso que tinha tudo para ser business e deu aula de reconexão e leitura interna.
No dia seguinte ao meu último post, fiz uma oficina de redação com tricô com duas amigas queridas e corajosas, a Tania e a Florentine. Foi no dia 13, dia em que uma das maiores manifestações se articulava. Alguns corajosos aceitaram nosso convite e vieram tramar conosco histórias de vida. Até fizeram tricô, mas, entre um e outro pedaço de lã, surgiram também pedaços textuais que foram verdadeiros resgates. Provocamos a eles – e a nós, a se apresentarem com cinco anos de idade, trazendo elementos que fomos tecendo ao longo do encontro. Saíram textos lindos de pessoas que não necessariamente sabiam escrever. Intenso e de uma entrega ímpar. Dias depois, em Viamão, RS, tive a felicidade de falar no TEDx Laçador sobre “Desconstrução”. Na outra semana, estive com alguns outros tantos “desconstrutores”, num curso que tinha tudo para ser business e deu aula de reconexão e leitura interna.
Ontem, dia 28, fez nove meses que
reunimos 42 mentes inquietas, num encontro totalmente às cegas onde
falamos sobre o que nos move e o que vinha nos incomodando. Incômodos
que gritavam e não encontravam eco. O Jean Bartoli, um dos filósofos
que eu amo na vida, falou, neste curso da semana passada, sobre a dor
que estamos vivendo com estas manifestações. Que ela pode ser a dor
do parto ou a dor da hora final. Parece que chegou a hora de darmos à
luz a algo que vinha nos incomodando.
Fazendo um daqueles exercícios do “e
se”, fico pensando “e se os atos de vandalismo não estivessem
desviando nossa atenção”, o que sobraria?
Um dos pedaços da minha fala no TEDx
teve a ver com um vazio existencial que tenho assistido nas pessoas.
Dos presidentes de empresas, que “chegaram lá”, aos jovens
inquietos de 20 e poucos, que não têm a pretensão de chegar a este
lugar que seus pais estão, o que os une é o mesmo vazio. De
propósito, de sentido pra vida. Gastamos nossos tempos correndo para
pagar contas e desencontramos o fio da meada das nossas próprias
existências. Felizmente, ainda que com dor, recomeçamos a jornada.
E estamos nos reencontrando. O Bartoli traçou toda sua fala em
“voltar a beber na própria fonte”. O Igor Oliveira, amigo querido que não
é filósofo, mas, felizmente, me faz parar para pensar toda hora,
falou em revoluções “gandhianas”. “Seja gandhiano ou vença”,
disse ele. Não acho que exista uma guerra. Muito menos que ela seja
contra outro alguém. O maior de todos os desafios está em parar de
apontar o dedo para fora e começar a olhar para dentro. A resgatar,
um a um, os fios que dão sentido à nossa existência. Do reencontro
com este grande e lindo tecido – que é único em cada um de nós,
é que surgem as verdadeiras grandes revoluções.
* quem quiser conhecer um pouquinho mais do Bartoli, espie o blog dele :)
http://www.jeanbartoli.com.br/
Assinar:
Postagens (Atom)






