quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mexendo nas gavetas

Sabe quando dá aquele "surto" e você começa a tirar tudo de dentro da bolsa pra fazer uma "faxina" e ver o que serve e o que não serve? Vale para aqueles domingos em que colocamos o roupeiro abaixo ou quando começamos a fuçar nos papeis do passado. Eu, particularmente, sou a rainha dos 5Ss. A-do-ro colocar coisas fora, renovar, limpar as "energias paradas". Mas tenho descoberto em muitas conversas comigo mesma, com amigos (ok, ok, com alguma dose de terapia) que eu tenho certa dificuldade pra mexer nas gavetinhas do passado. Eu e a torcida do Flamengo, talvez. Well, descobri também que quando estamos mexendo fisicamente nos objetos, reorganizando-os em novos lugares, doando coisas velhas, varrendo a casa, limpando a geladeira bla bla bla, estamos, na verdade, tentando colocar pra fora o que estamos sentindo por dentro. E quando organizamos alguma coisa externa, estamos abrindo a mente para começar a organizar também as internas. Estou vivendo um momento bem importante dentro desta onda de mexer nas gavetas. Tenho encontrado algumas cobras e lagartos, mas também boas surpresas escondidas no fundo do baú. Recomeçar a escrever, por exemplo. Tava lá, tímido, no meio das meias velhas, doido pra tomar um sol. E agora veio. Só que as gavetinhas são muitas. E não abrem numa ordem muito lógica ou cronológica. Aliás, na minha vida quase nada tem uma ordem muito certinha - e eu também descobri que isto não é um defeito. É só um jeito meu, ora. Ufa. Estou me divertindo com a brincadeira, mas confesso que às vezes dá vontade de empurrar toda a tralha pra dentro do armário, chavear a porta e engolir a chave. Que nem desenho animado. Mas, agora que eu comecei a arrumar, não tem jeito. Vou ter que colocar ordem na casa. Vamos que vamos. Sem dramas. Ooooooommmmmmm.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Desplugando 2010

Tem alguns raros momentos do dia em que eu consigo me desligar de verdade. Dos outros. Não de mim. Me desconectar de mim mesma é uma tarefa um pouco mais árdua. Mas sair fora do mundo para pensar nas minhas coisas é algo que me agrada e que tem sido cada vez mais raro depois do surgimento do tal telefone celular e das milhares de formas de conexão que nos atropelam. Parece que a gente tem uma certa obrigação de estar disponível e "on line" o tempo inteiro. Minha mãe é feliz e não sabe. Ela até hoje não tem celular e não sente a menor falta. Pois bem, também não é no yoga que eu consigo este exercício. Durante a aula eu relaxo e presto a atenção no meu corpo, na respiração. No começo, confesso, eu fazia mentalmente a lista do supermercado durante a meditação. Hoje eu até consigo fechar os olhos e me concentrar nas palavras do professor. Belo progresso. Mas eu realmente penso na minha vida em dois momentos bem específicos: enquanto eu tomo banho e quando estou dirigindo. Tomar banho é, para mim, como se livrar de toda a carga do dia que passou. Uma oportunidade para renovar as células e as ideias. Fora o banho, é no trânsito que as ideias fluem de verdade. Não sei bem explicar, mas eu fecho os vidros e a minha cabeça começa a funcionar. Aqui em São Paulo, tem uma "vantagem" adicional. Chama-se engarrafamento. O Carpinejar fala que o engarramento é uma desculpa pras mulheres retocarem a maquiagem. Pra mim, além disto, claro, é uma bela chance para eu organizar as ideias. Eu ligo o som e saio de mim. Na estrada também. Tem dias que eu tenho vontade de pegar a estrada só pra pensar na vida. É como arrumar o armário. Só que "ao ar livre" e com um pouco mais de velocidade. O fim do ano está aí. Todas (eu disse todas) as pessoas com quem eu tenho falado estão nos seus limites. Com olheiras, contando os dias na folhinha para comerem o peru e descansarem uns dias. Parece que nesta época do ano o botão do stress vem com tudo e fica martelando a cabeça da gente o tempo inteiro. Aí vêm as viroses, os piripaques, os chiliques. Well, tenho duas boas notícias: dezembro já está chegando. Semana que vem ele já está aí. A segunda vale mais se você vive em capitais. Neste caso, terá a imperdível oportunidade de fazer do limão uma limonada. E reencontrar você e seus pensamentos enquanto aguarda o trânsito natalino fluir. Pra ficar melhor ainda? Ah. Só se você conseguir não atender o celular.

Tempo e vida



Eu já tava incomodada com a tal história do tempo que se esvai, com a liquidez das relações. Aí veio o Saramago e me fez remoer ainda mais sobre o assunto. No documentário, ele falou muitas vezes sobre o tempo e a necessidade de deixarmos que as coisas amadureçam na vida. Cada coisa no seu tempo. Tem que respeitar. Por outro lado, ele apresenta o conceito de velhice como "uma perda irreparável ao acabar de cada dia". E aí, como conviver com estes dois extremos? Corremos contra o tempo o tempo todo. Para aproveitarmos as oportunidades, para vivermos a vida e não deixarmos que ela nos engula. O trânsito come nosso tempo, a agenda também. E aí queremos encontrar os amigos, sermos bons profissionais, filhos, amantes e ainda termos tempo para fazer ginástica e  ler bons livros "calmamente" à noite. Ui. Complicado, não? Eu tenho marcado e desmarcado vários cafés e almoços com pessoas queridas. Hoje é um destes dias. Tenho um almoço encantado agendado com uma amiga e que hoje, aos trancos e barrancos, vai acontecer. Tô ainda gripada, meio branca, apagada. Mas vou encontrá-la. Agora é quase uma questão de honra. Saramago falou também que vida é agitação, atividade, movimento. Pilar comentou que "hay de desdramatizar". Ok, então. Vamos à vida. Simone, hoje, quase um mês depois, vamos comemorar o teu aniversário :)

domingo, 21 de novembro de 2010

High Touch

Tenho tido a oportunidade de conhecer / explorar lugares bem diferentes e bacanas em São Paulo. São lojas-conceito, restaurantes temáticos, espaços lúdicos nas mais diversas áreas. Obviamente, não consumo em cada um deles, até porque a fatura seria alta, mas tenho disposição e curiosidade suficientes para espiar o que acontece nestes recantos por aí afora. Em comum, todos eles têm um toque de high touch. Eu explico. Este conceito eu incorporei de José Carlos Teixeira Moreira, uma figura brilhante que me acolheu na terra da garoa e que tem sempre pontos de vista curiosos sobre as coisas. Ele fala que é preciso mesclar o high tech com o high touch, ou seja, que mesmo com o auge da tecnologia, não podemos esquecer das coisas simples, que são as que verdadeiramente tocam. São os detalhes, os cheiros, as experiências, enfim. Quando saímos de casa para jantar, não estamos buscando somente um prato gostoso para saciar nossa fome. Buscamos contextos, ambientes prazeirosos que nos propiciem experiências únicas. Cada vez mais, as lojas vendem menos produtos. Elas oferecem sensações. Nas livrarias, as pessoas podem passar uma tarde inteira "saboreando" um livro sem gastar um tostão. Nos cafés, da mesma forma. Pode-se pedir um expresso e ficar uma tarde toda lendo revistas ou conectado à internet sem que ninguém venha nos importunar. O curioso é que este tal espaço aconchegante que buscamos "lá fora" tem muito a ver com o casulo que buscamos dentro de nós, em nossas memórias de infância, ao revivermos cenas e sensações que nos marcaram. Dentro de uma onda de "menos é mais", o luxo pelo luxo começa a dar espaço para o que é realmente autêntico e simples. Chegamos no auge do tech. Agora nossa sede é de experiências e sensações. 

sábado, 20 de novembro de 2010

José e Pilar

Eu tinha escutado pouco sobre a tal Pilar na vida do Saramago. Na verdade, eu também tinha interagido pouco com ele e sua obra até bem pouco tempo atrás. Mas quando eu fui apresentada  àquela linguagem, muita coisa mudou. Hoje, depois de assistir ao documentário "José e Pilar", mais coisas mudaram. Segundo o Saramago, ele era uma pessoa desassossegada com a missão de desassossegar as pessoas. Bueno. Conseguiu. O filme mostra basicamente a relação dele com a Pilar nos seus últimos anos de vida. Nada de roteiros elaborados, cenas mirabolantes. Retrata uma rotina de um casal apaixonado, idealista, inquieto. Existiu um Saramago antes e depois da Pilar. E isto ele deixa claro o tempo todo. Ela, uma mulher forte, jornalista, sabia o que queria quando o abordou e disse que queria conhecê-lo melhor. Ela o admirava. E a partir daquele dia, ele passou a admirá-la. Tiveram 20 e poucos anos intensos juntos. Ele começou a escrever comercialmente depois dos sessenta e tinha uma consciência absurda da urgência em colocar para fora suas palavras. E Pilar representou, durante este tempo todo, a energia vital que o fez viver e se expressar com tanta intensidade.  Saramago tinha senso de humor, convicções, mas era sereno e paciente. Pilar, por sua vez, transpirava força e garra. Segundo ela, é preciso "desdramatizar" a vida. E foi assim que a mistura destes ingredientes tão intrigantes deu origem a obras tão notáveis. "A viagem do elefante" foi a última delas, escrita com muitas pausas (Saramago adoeceu durante o "percurso"). Na verdade, Pilar e o elefante foram fundamentais para que Saramago vivesse mais algum tempo, período este em que ele pode amadurecer e curtir boa parte do que criou. Saramago morreu mas não sei foi. Ele não teve filhos. Mas teve Pilar e uma história de amor que não está nos livros. E que se perpetua em todas as dedicatórias que fez em cada uma de suas obras. E também na fundação que leva seu nome e que hoje, claro, é tocada por esta mulher vibrante que mudou sua vida. Sem Pilar, Saramago teria sido outro. Assim como somos novas pessoas quando encontramos pelo caminho pessoas que têm a coragem de nos desassossegar.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

3 "efes"

O nome dele é Fernando Fortes Félix de Oliveira. Quase nome de rei. Tem os 3 "efes" pra mostrar que é filhote da mamãe (e que também é forte) e do papai (Félix, viril). Mas que também tem personalidade própria, ora bolas. Este apelido de 3 "efes" foi dado pelo José Abel, capataz da fazenda e um dos tantos que sempre admiraram e cuidaram do pequeno caçula da família. Ele também teve outros apelidos ao longo da vida. Tio Nando, Mano, Mufa (tem gente que até hoje não sabe que o Mufa é o Fernando). Nunca teve apelidos diminutivos, tipo Fernandinho. Parece que não combinam com ele. Pra mim, ele é o mano. Simples assim. Um guri querido, educado e idealista. Demorou pra cair a ficha do mano sobre o mundo. Demorou pra ele se encontrar. Sempre culto, criativo, inteligente, ele viveu uma adolescência estendida. Curtiu a vida, Cachoeira, os amigos, até que foi parar na capital e despertou de verdade para um monte de coisas. O guri, que já era o orgulho da D. Irma, tornou-se referência para um monte de gente. Parece que ligaram a criatura na tomada. Pior, além disto, ele está cada dia mais bonito e charmoso. Minhas amigas que o digam. Está bonito porque está feliz, se realizando, conquistando coisas novas. Parece que os e "efes" ficaram pequenos demais pra tudo o que o Fernando tem escrito por aí. Ele é o Fernando, é Forte e é Félix, mas é também batalhador, amoroso, sensível (ele chorou no show do Paul, que querido) amigo leal, roqueiro, sonhador. Hoje o Mano tá de aniversário. Tá completando a idade de Cristo. Estamos distantes fisicamente, mas parece que nunca estivemos tão próximos. Talvez porque estejamos vivendo novos momentos em nossas vidas. Talvez porque tenhamos muitos objetivos em comum na vida. Ou simplesmente porque somos frutas do mesmo pé, buscando nosso lugar ao sol. Tenho muito orgulho de ti, guri. Te amo! Feliz Aniversário!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Cof cof

Uma vez alguém me disse que sempre saímos melhores de uma gripe. Segundo esta mesma pessoa, depois dela nosso sistema imunológico fica mais forte e acabamos aprendendo com a experiência. Nem que seja aprender a ficar quieto, algo não muito fácil para pessoas ativas como eu. A gripe é como um castigo pra quem não se comportou e pensou que era super heroi. Ela vem pra te lembrar que és mortal. Mas ninguém gosta de ficar "amolado", com febre e dor no corpo. Por coincidência ou não, na semana que passou várias pessoas perto de mim estão resfriadas, com sinusite, rinite e outras tantas "ites" da vida. Seria por causa do tempo louco? Ou pela falta de tempo para nós mesmos? Uma outra pessoa igualmente esclarecida sempre me fala que, na vida, se não vai no amor, vai na dor. Se está faltando pilha pra você também, sugiro que beba muita água, respire e durma direito. Eu não segui muito bem as recomendações.E comigo não foi no amor. Cof cof.