terça-feira, 23 de agosto de 2011

Descanso da guerreira


Eu nunca tive aula com a Vera Gerson. Mas tive o privilégio de ter convivido / continuar convivendo com uma turma de gente boa que ela ajudou a formar e a virar adulto na vida. A Vera sempre foi uma referência na Fabico, uma faculdade que, muitas vezes por falta de recursos financeiros, se obrigava a ensinar a pensar. Claro, nem todos os professores tinham esta percepção. Mas a Vera foi mestre nisto. Posso contar assim, rapidinho, pelo menos umas dez pessoas maravilhosas que a Vera ajudou a fazer crescer. Ela ensinou os alunos a virarem gente, a planejarem empresas e as suas vidas pessoais. Desde que eu a conheci, por intermédio da Januza, sua fiel escudeira, passei a admirá-la, sempre cheia de problemas na vida e sempre, sempre mesmo, sorridente. Ela não se queixava da vida, não se enxergava como vítima. Alegre, vibrante, forte, fazia de conta que a tal doença não estava rondando. E foram anos nesta luta. Ontem eu estava conversando com o Bodan, que trabalha comigo, um serzinho com um entendimento todo especial sobre as coisas da vida. E ele comentava do medo que dá de colocar um filho no mundo no meio de tanta coisa estranha que temos visto por aí. Mas ele resolveu olhar esta história por outro lado e se deu conta que colocar uma pessoa bacana no mundo, ensiná-la a amar e a cuidar dos outros, pode ser um belo gesto. E que valeria a pena tentar. A Vera foi uma destas pessoas, que alguém teve coragem de colocar no mundo e que fez toda a diferença por onde passou. Ela me indicou simplesmente os melhores profissionais de RP que já trabalharam comigo (muitos, felizmente, continuam na minha equipe). Sempre tinha um “filhotinho” pra me passar, toda faceira e certa de que eles iriam longe. Por isto, fez muito mais do que precisaria e agora pode descansar em paz porque sabe que deixou na Terra um monte de bons frutos que vingaram e que nunca vão esquecer do seu exemplo. A Vera foi uma daquelas pessoas que levou a sério a máxima de que “a vida é muito curta pra ser pequena”.

A vida é muito curta pra ser pequena.” Benjamim Disraeli

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Esposa trofeu, eu? Não, obrigada.

Ontem eu fui no cinema assim, meio sem querer, sem altas expectativas em relação ao filme. Claro, fui bem acompanhada e seguindo a dica que uma amiga, que foi junto, e que não costuma dar muito fora. O filme também era francês, o que já me agrada muito. Cinema francês não tem muito mistério (pra mim): ou é algo muuuuuito arrastado, ou é algo muuuito legal e profundo. Então, somando a indicação + o fato de ser francês, a estatística parecia bem favorável. E foi. Eu dificilmente saio assim, no escuro, sem ler antes a respeito. Mas tenho experimentado este tipo de situação e até que tem sido divertido me deixar surpreender. Pra quem casou e não sabia nem a cor das flores da festa, ir ao cinema no escuro é mole. Felizmente, pra fechar com chave de ouro meu domingo super animado, o filme era delicioso. Chama-se "Potiche - esposa troféu" e é um soco no rim das relações. A protagonista, pra ajudar, era a Catherine Deneuve, com o perdão da redundância, deslumbrante. E o seu amante sindicalista era ninguém menos que o Gérard Depardieu, um pouco menos charmoso que antigamente, por conta de alguns bons quilos no corpo. Mesmo assim, estavam belíssimos e intensos na história. A grosso modo, Suzane, a esposa, teve uma vida submissa de dona de casa casada com o marido, que assumiu a fábrica do pai, o dela. Estava tudo bem. Sempre foi assim, durante longos 30 anos. Mais ou menos como a vida de um monte de gente. Tudo igual. Mas não mexe que eu não quero me incomodar. Eis que alguns fatos tiraram o casal de sua fachada e da zona de conforto e, finalmente, a esposa, que era um troféu, saiu da prateleira para mostrar ao mundo a que veio. Parece que o filme é baseado numa peça que fez sucesso nos anos 70 e que, justo por isto, é ainda mais vanguarda. Olhar pra fora hoje e encontrar mulheres com coragem de mudar e assumir novos papeis não é tão inédito assim. Mesmo assim, o filme tem um componente bem bacana. A Suzane, ao assumir a fábrica, não tornou-se um "arremedo" de homem e nem pensou em seguir os passos ditatoriais do maridão. Foi absolutamente feminina e sensível (como, aliás, havia feito o seu pai, idealizador da fábrica), tratou as pessoas como gente (veja só) e conquistou uma legião de admiradores pelo caminho. Melhor, ela nunca fora imaculada ou conformada e teve, de forma sutil e elegante, suas válvulas de escape, mostrando-se muito mais inteligente e menos submissa do que parecia. Não estou pregando a traição de nenhum dos lados nem que tenhamos que ser "mulherzinhas", no sentido bem preconceituoso da palavra (que pena, ele existe), para alcançarmos algo. Mas se soubermos resgatar o feminino das nossas relações, as coisas ficam bem mais leves e fáceis. Eu faço isto meio que o tempo todo. Tenho até um grupo delicioso de estudos para entendermos melhor o assunto. Pelo menos, eu tento. Tem gente que me chama de Pollyana, mãezona demais, romântica. Eu chamo de Andréa. Simples assim. Consigo ser uma esposa, amiga, filha, sócia, chefe e não tenho ninguém por perto tentando me deixar exposta na prateleira. Pelo contrário, as pessoas que me amam de verdade, me ajudam a voar e me esperam bem felizes na volta. E, apesar dos tropeços pelo caminho aqui ou ali, estou bem feliz com a minha escolha. Depois do filme de ontem então, ainda mais animada com esta história de continuar deliciosamente inconformada e animada com a vida. Boa semana!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Em defesa do pobre frio

Eu tenho uma amiga meio bruxa, meio fada, toda linda e cheia de boas energias que me contou uma história bem bacana. Ela tem um filhinho que estuda numa escola alternativa em Porto Alegre. As crianças plantam, colhem, têm aulas para a vida e uma professora que as acompanham ao longo de bons anos. Esta amiga foi convidada para uma espécie de workshop com os colegas do filho, onde poderia propor uma atividade qualquer de interação. Aproveitou que chovia para contar às crianças a "história" do sol interior. Segundo ela, quando chove ou quando faz um dia assim bem feio, nublado, é porque o sol foi se esconder dentro da gente. E estes dias são os mais adequados pra exercitarmos o tal "sol interior". Tenho acompanhado a saga de gaúchos e paulistas nos últimos dias em relação ao frio. Me incluo entre eles nesta lamentação / estranhamento. Fazer frio em Porto Alegre até vai. Mas em São Paulo é meio raro. Ainda mais por tanto tempo assim. Pois bem. Está um tal de chega pra lá no frio como eu nunca vi. Então eu resolvi exercitar um pouco do meu "sol interior" e pensar em algumas coisas bacanas que o tal frio traz pra vida da gente. Como tudo, e como nós, ele tem os seus lados sombra e luz. É que às vezes a gente se pega enfatizando justo o lado sombra e esquece de um monte de coisa boa (sim, vale para a vida também e para aquelas pessoas "Sofrenildas" que se queixam o tempo todo e não conseguem enxergar nada de bom. Argh). Bem, falando do tal do frio, tem coisa melhor do que comer no inverno? E dormir? Se for agarradinho, Senhor! Melhor ainda. No inverno, as pessoas ficam mais bonitas. Mulheres usam botas, echarpes e, se forem bem ousadas, um batom bem vermelho pra contrastar com o cinza do tempo. No inverno, o por-do-sol fica mais vermelho e as fotos mais lindas. Quando faz frio, tomamos vinho tinto, chá quente, usamos edredom fofinho pra nos enrolar e pra ver TV. Inverno com lareira e/ou fogão a lenha tem um cheiro indescritível de mato queimado. E de infância. Parece que as pessoas se aninham mais quando faz frio. Fica todo mundo mais carente, dengoso, com bochechas cor de rosa e nariz vermelho. As crianças dão um show à parte quando faz frio. Parecem bonequinhos de neve cheios de roupas e de animação. Pra elas, que vivem num mundo de fantasia, inverno é uma delícia, assim, como o verão. Só que faz mais frio. Tudo bem. Eu sei que no Brasil não estamos preparados para enfrentar o frio como estão os europeus e os nova-iorquinos. Mas quem foi que disse que eles não dá pra ser feliz a menos de 10 graus? Eu conheci um argentino uma vez, um médico aposentado que hoje dedica a vida a jogar polo, pelo mundo, com a família toda. Foi numa tarde gelada (e linda) em Buenos Aires e naquele dia ele me contou que  tem seis filhos. Sabe por que ele fez tantas crianças? Porque fazia frio demais naquelas bandas e, segundo ele, o frio aproxima que é uma beleza! Alguém duvida?

Não abro mão das minhas inquietudes

Esta semana foi uma daquelas beeeeeem legais. De trabalho, de interação com as pessoas, de novidades na minha vida e na de um monte de gente querida. Deve ter a ver com o frio, com os eclipses da lua. Sei lá. O que eu sei é que foi uma daquelas bem mexidas. Tô aqui, tentando organizar as ideias e tudo o que eu vivi nestes últimos dias e começo a lembrar de coisas bacanas que  me tocaram. Uma delas aconteceu durante uma conversa com uma criatura querida bem no começo da semana. Falávamos sobre a formação de massa crítica e do quanto é difícil termos por perto da gente pessoas que pensam, opinam, criticam, questionam. Igualmente, comentávamos que a vida só tem graça quando temos por perto pessoas que pensam, opinam, criticam, questionam. Vale pra tudo. Pra família, pra amigos, pra gente que trabalha com a gente, o que, no fim, é tudo meio que a mesma coisa, felizmente. Eu recentemente fui pro Butão e, agora, uns dois meses depois, começo a entender algumas coisas. Lá, as pessoas são talhadas pra pensar. E o governo, o rei, ou seja lá quem for, prepara a população desde cedo de um jeito bem lúdico e leve: usa a arte. Através dela, pessoas bem simples conseguem se expressar, pensar e construir coisas novas, muitas vezes (oba) bem fora dos padrões "esperados". Fico aqui pensando nos moldes em que fomos educados e no quanto nos forçaram o tempo inteiro a entrarmos numa "caixinha" que muitas vezes não fechava com o tamanho das nossas inquietações. Ninguém fez isto porque era feio ou mau. Simplesmente sempre foi assim. E quem saía um pouco fora dos padrões era logo rotulado de estranho, hiperativo ou um monte de outros palavrões bem cabeludos. Estou doida pra sair um pouco da caixinha, do padrão. Estou feliz da vida porque tenho encontrado pessoas com as mesmas vontades / medos / euforias diante destas possibilidades. Desconfio fortemente que nossa geração é uma super cobaia de um monte de revoluções e que uma delas é a de justamente as pessoas começarem a construir suas próprias identidades, sem necessariamente seguirem padrões assim "tão certinhos." Claro, isto tem um custo. E tem também um bônus bem gostoso pra quem está disposto a pagar pra ver. E você, já se inquietou com alguma coisa hoje? Bom fim de semana :)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Avant-garde

Ontem eu fui assistir ao mais novo filme do Woody Allen. Chama-se "Meia-noite em Paris". O que eu tenho a dizer a respeito? Que ele, o Woody Allen, simplesmente enlouqueceu. E que eu adorei! Senhor, o filme é doido demais, lúdico demais, imaginativo demais e, melhor, real demais. Pode ter várias leituras e nuances (ok, todos podem), mas eu resolvi compartilhar o que pegou em mim. Pode ser? Assim, sem pretensões intelectuais ou críticas cinematográficas. Antes, um parêntese: gente, que Paris é esta? O filme traz cenas poéticas e deliciosas da cidade que são capazes de fazer quem ainda não se apaixonou por ela (alguém?) pensar seriamente no assunto. Ok, foco. Volta, Deinha. Bem, antes ainda, eu preciso contar que eu assisti ao filme super tocada por algumas coisas pessoais. Voltava da minha curta lua-de-mel no interior de São Paulo quando, chegando em São Paulo, decidimos não ir para casa e fomos direto ao cinema, de tênis mesmo, seguindo o conselho do José Carlos, que havia comentado: - Andréa, você tem que ver o filme! Ok. Eu obedeci. No dia anterior, sábado, entre tantos filmes que vimos na pousada, eu reassisti "Dois Filhos de Francisco." O Marco ainda não tinha visto e eu fiquei curiosa para rever a história tanto tempo depois. Fala de um pai que ousou sonhar, tido como um "louco". E que viu o tal sonho aconteceu. Fantasias à parte, fala do que está faltando na maior parte da vida das pessoas que eu vejo por aí: coragem para acreditar nos sonhos, fantasia, imaginação, determinação. Sem querer contaminar a percepção de quem ainda não assistiu Meia-noite em Paris, eu diria que o filme surfa muito bem nestes aspectos. O Woody (para os íntimos) se permitiu "viajar" completamente no roteiro, com profundidade e sensibilidade absurdas. Viajou no tempo e na imaginação, desenhando universos paralelos sutis e muito tocantes. Numa leitura mais rasa, mostra a história de um escritor que vive (e muito bem) de roteiros hollywoodianos  e que sonha, desde sempre, em tornar-se um escritor  de verdade. Morar em Paris faria parte dos planos para chegar lá. E aí Paris entrou na história, deliciosamente de carona, sentou e pegou a janelinha. E aí começam os dilemas, os "delírios" e os dramas tão absurdos e tão familiares das nossas vidas. O filme ousou reunir Picasso, Salvador Dali, Gertrude Stein e Hemingway em dilálogos pra lá de divertidos e cheios de poesia. E os levou e trouxe de volta aos seus e aos nossos tempos. E a história, que tem tudo pra não fechar, começa a fazer sentido e a provocar os pobres seres que a assistem, que não sabem se riem ou choram da própria falta de imaginação de suas (nossas?) vidas reais. Um belo chacoalhão pra um fim de tarde de domingo chuvoso. Na simplicidade lindíssima de "Dois Filhos de Francisco" ou na ousadia romântica dos universos paralelos de "Meia-noite em Paris" eu me perdi, me reencontrei e questionei muita coisa. Entre elas, a falta que faz a poesia na vida da gente. Que coisa boa quando deixamos que ela entre sem bater. E que tome conta da nossa história, ainda que por alguns instantes. Avant-garde!

terça-feira, 21 de junho de 2011

Marco e Andréa

Eu adoro provocar as pessoas. Principalmente quando entre "estas pessoas" estiver o Fabio, uma criaturinha brilhante que trabalha comigo. Não contem isto pra ele, por favor, senão ele vai ficar todo bobo. Pois bem, o Fabio foi um achado na minha vidinha muuuuuuitos anos atrás. Me enviou uma caixinha / portfolio junto com um colega (na época das duplas de criação) e aí começou o nosso namoro profissional. Demoramos uns 10 anos para consumarmos nosso casamento corporativo e há uns dois anos eu o trouxe da Itália, de mala e cuia. Hoje, além de trabalhar comigo, ele mora em São Paulo e, acreditem, é feliz com isto :) O Fabio fazia parte da comissão organizadora do casamento da Deinha e do Marco. Me envolvi muito pouco nos preparativos porque confiei a história toda a anjos da minha vida. Desde o começo, o Fabio incomodou bastante para que fizéssemos um vídeo. Queria aquele monte de gente com uma câmara na mão gravando as criaturas se divertindo na festa. Eu e o Marco fomos contra, desde sempre, e contamos com total apoio da Januza, dinda linda e responsável por desempatar qualquer impasse. Graças a Deus eu provoquei o Fabio (again). No lugar do vídeo, veio uma música. Ele e a Patricia (que merece muitos créditos também) fizeram uma releitura digamos "mais moderna" da clássica música Eduardo e Mônica. Agora, ela chama-se "Marco e Andréa" e foi o ponto alto da festa. Segue a letra, pra quem curtiu com a gente e se divertiu com a "arte" que esta dupla Fabio e Pati aprontaram. Se continuarem assim, vou provocar ainda mais. hehe

Marco e Andréa
Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

Marco Cassol abriu os olhos, mas não quis se levantar
Em Alegrete viu que horas eram
Enquanto Andréa tomava um chimarrão
No interior de Cachoeira, como eles disseram

Marco e Andréa um dia se encontraram por querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
Foi uma prima do Marco que disse:
Ele até que é legal, você vai querer curtir

Festa estranha, com gente esquisita
"Eu não tô legal, não agüento mais birita"
E a Andréa riu, e quis saber um pouco mais
Sobre o carinha que atiçava o coração
E o Marco, meio tonto, só pensava em ir pra casa
"Amanhecendo, eu tenho operação"

Andréa e Marco trocaram facebook
Depois se cutucaram e decidiram se encontrar
O Marco sugeriu Carioca Club,
Mas um funk a Andréa não queria encarar

Se encontraram então no Ibirapuera
A Andréa de carro e o Marco de "motinho"
O Marco achou legal, e melhor não comentar
Mas a menina era gostosa de shortinho

Marco e Andréa eram nada parecidos
Ela era de peixes e ele se achava o tal
Marco tinha medicina e falava alegretês
E ela ainda estressada na Sarau

Ela gostava do Neruda e flamenco,
Borghetti e Drummond, de Quintana e de Bauman
E o Marco gostava de mergulho
E ainda ia andar de moto todo dia de manhã

Ela falava coisas sobre um mundinho rosa
Também magia e equitação
E o Marco ainda tava no esquema: "ioga, bateria,
rock, meditação"

E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser

Marco e Andréa tiveram muitos sonhos, tantos planos
Pegaram as mochilas, e foram viajar
E a Andréa explicava pro Marco
Coisas sobre o B2B, o céu, a água e o mar

Ela aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu relaxar (nããão)
E ele percebeu que sua paixão
É um amor que veio pra ficar

E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela
E vice-versa, que nem feijão com arroz

Compraram uma casa há uns três meses atrás
Um castelo pros filhinhos chegando
Batalharam grana, seguraram legal
Não tem problema quando se está amando

Marco e Andréa vão voltar para São Paulo
E a nossa amizade é uma grande curtição
Só que nessas férias, não vão viajar
Porque ela ainda tá pagando a viagem pro Butão
Ah! Ahan!

E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Casei pela quinta vez (com o mesmo marido)

Quem tem acompanhado ainda que de leve a minha historinha de vida pós-assumir São Paulo sabe bem que, depois de alguns percalços pelo caminho e de eu ter ficado um pouco assustada com tanta novidade / desafios na cidade grande, eu me permiti investir no amor. Simples assim. Conheci o Marco há pouco mais de dois anos, por intermédio de uma amiga / prima dele, verdadeira irmã pra mim, numa situação muito inusitada. Fomos passar as duas um fim de semana em Gramado, eu no lugar do então namorado dela que não pode ir e, conversa vai, conversa vem, surgiu o nome do Marco da história. Segundo ela, o "primo" era um cara legal e bem doidinho que eu adoraria conhecer. Estava eu justamente no garimpo de pessoas bacanas em São Paulo, já que cheguei aqui sem conhecer praticamente ninguém. E lá veio ele, todo simpático me buscar numa noite qualquer. Me levou direto pra um boteco com toda a turma do MBA dele e me jogou entre eles todo faceiro. Primeira impressão: o cara era mesmo bem espontâneo. Naquele mesma noite rolou um beijinho roubado e outras tantas noites vieram, com conversas gostosas, saídas em lugares bacanas (outros nem tão bacanas assim). Nossa história foi um típico rolo daqueles que mais desatam do que atam. O guri, na flor da idade, só queria saber de curtir a vida. Aparecia, sumia e, quando reaparecia, me confundia toda com aquele sorriso de alma que só ele tem. Não me perguntem por que, mas mesmo tendo todos os motivos pra sumir e mandar o vivente passear, eu resolvi investir na história. Tava me testando mesmo, experimentando um novo olhar pra esta coisa de amor. Nossa história foi bacana porque começou bem do avesso, assim, sem planos nem modelos e foi se construindo sem grandes expectativas. Muita gente foi contra. Muita gente não entendia o que uma menina tão "certinha" via naquele cara aparentemente tão doidinho e despreocupado com grandes compromissos. Mas eu, macaca velha em algumas coisas da vida e um tanto bruxinha, enxerguei bem mais do que o modelo tentava representar e, bem de mansinho, cheguei na alma da criatura. A intimação só veio quase dois anos depois, no fim do ano passado, quando eu tinha certeza de que ele era o cara e que eu precisaria dar um aperto no guri pra ele "pegar no tranco" e entender que tinha tudo pra me ter. Mas que tava me perdendo. Foi bem duro ter que dar "um gelo" nele. Mas foi o jeito que eu desenhei (muito mais com o meu coração do que com a razão) de transformar as coisas em uma coisa boa de verdade. Eu não gritei, não xinguei, não cobrei. Só abri o meu coração pra ele assim, com uma praia ao fundo, e falei tudo o que eu estava sentido. Não é que deu certo? O Marco sempre foi um guri casadoiro mas muito assustado com esta verdade. Sempre teve o coração maior que o mundo, mas tinha um pouco de medo de enxergar a coisa. Eu, quietinha no meu canto, fui desarmando o guri e, vejam só, hoje sou esposa dele. Foram vários casamentos, todos retratados num mimo delicioso que minha equipe de meu de aniversário: teve o do facebook (ele me "pediu" em casamento assim, on line). Depois veio o civil, uma cerimônia budista maravilhosa (e de surpresa) num retiro de carnaval. Teve "lua-de-mel" em Nova York com a sogra e uma pausa pro noivo respirar com a noiva 21 dias fora (no Butão). Na volta, no meio da obra do ape novo, preparativos mil pro casamento. Este sim pra família, com direito a padre, digo, frei querido, e tudo. Casamos mais uma vez na quinta passada, desta vez numa igreja católica (os padres não podem casar mais fora da igreja) e uma cerimônia, evento, constelação de boas energias inesquecível no último sábado, no Vila Ventura, em Viamão. Pronto, casei. Pela quinta ou sexta vez (depende do ponto de vista) e, melhor, com o mesmo marido. Nossos votos estão mega renovados, reforçados e ainda não conseguimos parar para respirar e entender tudo de mágico que aconteceu naquela noite de sábado, 18 de junho. Escolhemos a dedo os convidados. O perfil era: pessoas com alto astral e que gostamos muuuuito. Não podia ter sido melhor. Casamos com a alma, abençoados por todas as pessoas amadas que fazem a diferença nas nossas vidas. Mesmo aquelas que não foram (e que estiveram em pensamento com a gente), ajudaram a construir aquele momento e mandaram boas energias de diferentes cantos do Brasil. O discurso do padre foi lindo, leve, divertido. A festa, mais ainda. Música animada, pista cheia e pessoas radiantes que aproveitaram muito. Sei que conselho não é uma coisa que a gente fica assim, dando. Mas eu tenho alguns, bem modestos e sinceros:
• acreditem no amor. Não naquela amor mágico dos contos de fada. Mas no amor real e construído no dia a dia. Meu príncipe, por exemplo, não veio num cavalo branco. Estava numa motinho, sem banco;
• em vez de ficarem olhando pros defeitos das pessoas, experimentem enxergar (e comentar) o que elas têm de bom. Claro, ter consciência dos defeitos ajuda a manter os pés no chão;
• casem. Uma, duas, quantas vezes vocês acharem que vale a pena. Não precisa ter padre, flores, doces. Tem que ter amor e um bando de gente que ama vocês por perto. Assim, a festa fica completa.

A todos aqueles que direta ou indiretamente me ajudaram a viver aquela noite inesquecível (e as demais dos outros casamentos com o mesmo marido), meu muito obrigada. Sou hoje uma pessoa melhor porque tenho vocês por perto. E porque deixei o Marco entrar na minha vida (ai, que amor!)