sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Fuga em massa
Na segunda que vem teremos outro feriado. Do que é este mesmo? Ah, sim. Proclamação da República. E teria um outro só aqui pra São Paulo nos próximos dias, para "comemorar" a consciência negra. Só que este vai cair num sábado. Ufa. No primeiro ano que eu cheguei na terra da garoa, eu não tinha a menor ideia de que ele existia (o feriado). Aí eu saí na rua e achei tudo muito parado, quieto. Coisas de forasteiros desinformados. Falando em forasteiros, neste final de semana São Paulo vai ficar de novo com cara de terra de ninguém. Praticamente todo mundo que eu conheço vai debandar. Boa parte deles decidiu passar (mais) frio no Rio Grande do Sul, mais precisamente em Porto Alegre. Outros tantos foram pra praia, pro mato, pra onde Judas perdeu as botas, não importa. Um fenômeno de fuga em massa. Curioso é que boa parte dos portoalegrenses também pegaram a estrada hoje. Será que eles foram encontrar os paulistas no meio do caminho? Não sei para onde foram, mas sei que estão (estamos) todos fugindo. De que? Da rotina, do stress, de nós mesmos algumas vezes. Sair tem um simbolismo importante de resetar a máquina, respirar novos ares, reencontrar pessoas queridas. Mesmo que no retorno tenhamos trabalho represado (parece que ele continua "dando cria" mesmo nos finais de semana), que tenhamos que labutar dobrado no restinho de semana, este ritual enlouquecido de sair fora parece agradar a nós, mortais. Pra quem fica, aproveite. A cidade é inteiramente sua. Pra quem, como eu, vai voltar para os pagos, leve um agasalho, uma dose de paciência pra enfrentar os aeroportos e boas energias na bagagem. Bom feriado pra nós.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Medo de escuro
Nós crescemos com o tal mito de que no escuro é que as coisas feias acontecem. Lá vivem os monstros mais horrososos que habitam nossa imaginação. Depois que nos tornamos maiores, o escuro continua nos atormentando. Agora estão na moda os livros que falam do nosso lado sombra. Afinal, somos todos sombra e luz. E geralmente as pessoas têm o dom de colocar o dedo na ferida e nos apontar o que temos de ruim. Nós mesmos fazemos isto o tempo todo. Talvez mais que todo mundo. Ontem eu recebi de uma amiga um texto que desmistificou um pouco de tudo isto. O texto, chamado "Our deepest fear", de Marianne Williamson, fala sobre o quanto é difícil para nós aceitarmos nossa luz. Receber um elogio, saber e ficar à vontade com o que temos de melhor, deixar esta energia boa fluir sem vergonha. É na luz que as coisas se revelam de fato. Não dá pra esconder. As crianças, seres mais puros que existem, aceitam suas qualidades numa boa e sabem retribuir com generosidade um elogio sincero. Por isto são tão radiantes. Mas à medida que o tempo passa, aprendem que isto ou aquilo é feio e aí a luz vai se apagando. Reconhecer o que temos de ruim é um exercício importante. Ter medo do escuro nos ajuda a termos respeito por nós mesmos. Mas na hora de acender a luz, aí sim o bicho pega.
Reciclos
Eu já falei sobre o fim do ano e sobre o simbolismo deste tal recomeçar. Mas tem outros recomeços que estão me intrigando nos últimos tempos. Não sei quanto a você, mas eu tenho a sensação de que tem muita coisa se fechando e muitas novas acontecendo. Não só comigo, mas com várias pessoinhas ao meu redor. Um punhado delas, incluindo algumas bem próximas, está terminando relacionamentos. Separações doloridas, de comum acordo, previsíveis ou não. Muita gente. No campo profissional, muitas criaturas estão questionando o sexo dos anjos e procurando encontrar uma luz no fim do túnel, um novo desafio que ajude a brilhar o olho de novo. Fechamentos de ciclos. E tem novos ciclos começando pra um outro tanto. Tem o ciclo dos bebês. Sim, pelo menos umas dez pessoas ao meu redor tiveram ou estarão tendo bebês nos próximos tempos. Quer símbolo maior de renovação? O mais curioso é que estas pessoinhas não têm um padrão sequer parecido e algumas delas nem pensavam no assunto. Aí aconteceu. Ok, ok, antes que você pergunte, novos amores também estão na lista. Ufa. Algumas pessoas estão se permitindo e investindo. A Cecília Meireles falava que é preciso dos deixar podar para voltarmos inteiros. Acho que os rituais são fundamentais para marcar as passagens nas nossas vidas. Vivemos em ciclos. Senão a gente não aguenta. Há quem diga a doença é uma forma de purificação e que nunca saímos iguais depois de passarmos por ela. Pode fazer sentido porque retornamos mais fortes de uma vivência nova. Pelo menos mais experientes. Recomeçar dá frio na barriga. Mas nos faz crescer. O importante é voltarmos sim diferentes, mas inteiros. Senão não vale.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Caixinha de surpresas
Eu gosto de tentar surpreender as pessoas. Inventar coisas diferentes, tchucos, ligar assim, no nada. Mas gosto mais ainda quando sou surpreendida. Adoro receber flores, mimos, torpedos. A Patricia, que também trabalha comigo (e ficou morrendo de ciúmes do meu post sobre o aniversário da Helen) tem sido uma caixinha de surpresas na minha vida. Ela me mandou ontem, entre uma mensagem e outra, todas de trabalho, um texto falando sobre amizade. Me surpreendeu usando uma outra caixa, geralmente cheia de significados (ou de spams). A do e-mail. Não custou nada. Não doeu. E fez um enorme sentido pra mim. Esta coisa de caixinhas, aliás, me segue pela vida. Eu sou doida por elas e quase não tenho mais onde colocá-las em casa. E quando viajo, não tem jeito. Sempre acabo comprando mais uma. Acho que tudo começou com um dos presentes mais simples e surpreendentes que eu ganhei da minha mãe quando era bem pequena. Ela comprou uma caixinha de madeira pra mim e outra pra minha irmã. E personalizou cada uma, com figurinhas recortadas, coisas coloridas. Lembro dela toda misteriosa pela casa, se escondendo de nós para finalizar "a arte". Eu não sei que fim levou a tal caixa, mas ela ainda me acompanha em lembranças. Tenho pensado nisto. Nas caixas que espalhamos por aí na vida e no quanto elas podem impactar (positiva ou negativamente) as pessoas ao abri-las.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Almas gêmeas
Hoje é o aniversário da Helen, uma guria super competente e ruivinha que trabalha comigo. Na verdade, a Helen me entende, me aguenta. E ainda por cima é um tipo raro de mulher que não tem "piti". Pois bem, o mais curioso ainda da Helen é que ela tem uma irmã gêmea, a Ana. As duas são, como se dizia em Cachoeira, "cara de uma, fucinho da outra." E têm uma sintonia muito forte. A Ana está morando em Paris. A Helen, em Porto Alegre. Mesmo assim, tem um super cordão umbilical emotivo que as une. Muito bacana.
Pensando na Helen e na Ana, eu acabei viajando e comecei a questionar sobre as tais almas gêmeas. Será que elas existem? São muitas? Estariam em qualquer lugar do mundo? Em Paris? Eu estou cada vez mais convencida de que a tal alma gêmea, aquela que nos contam nos contos de fada, não existe. Mas tenho convicção de que as pessoas não passam pelas nossas vidas por acaso e que, quando se vão (sim, elas se vão), têm que nos deixar melhores do que éramos antes delas terem vindo. Nós, claro, também temos este importante papel. Mas é bem difícil. Eu não tenho irmã gêmea. Mas tenho belas almas que passaram pela minha vida e deram mais sentido a ela. Amigos, a própria Helen, alguns desconhecidos, família, amores. Espero que a cota não tenha se esgotado ainda. Espero que a Helen e a Ana curtam muito este 1/4 de século de vida. Boa semana.
PS: atendendo à sugestão da Sabrina Mauas, uma amiga argentina, vou tentar colocar algumas imagens junto dos textos do blog. Vamos ver como fica :)
sábado, 6 de novembro de 2010
Resgate
Hoje eu fui passear na Vila Madalena, um bairro super charmoso aqui de São Paulo, cheio de lojinhas lindas e de tchucos*. Andar pela Vila sempre é surpreendente e aconchegante, ainda que as ladeiras das ruas forcem uma ginástica bem pesada (os glúteos agradecem). Em duas situações distintas nas andanças por lá, vivi alguns resgates. Primeiro, fui numa lojinha de brinquedos pra crianças comprar vários presentinhos (amigas estão todas parindo muito). Descobri uma loja lúdica, com brinquedos artesanais, bonecas de pano, muita madeira e jogos clássicos de infância, como jogo da velha e resta um. Um paraíso para qualquer ser humano, dos 2 aos 80 anos. Eu, claro, me diverti muito relembrando meu passado e o quanto eu me entretia com pouca coisa. Qualquer pedaço de pano virava uma história. Depois, faminta por causa das ladeiras, fui tomar um café gostoso num espaço mais delicioso ainda, chamado "Lá da Venda." O lugar não tem nada demais e, por isto mesmo, é um charme só. Vende panelas coloridas, panos bordados, bonecas de pano, floreiras e ainda tem um café para sentar e comer bolo "de nada" ("de nada" foi como o garçom explicou que o bolo não tinha nada dentro, de recheio. Só farinha mesmo...). O lugar estava lotado. As pessoas enlouquecidas "fuçavam" nas gavetas dos armários "de vó". Muita madeira, simplicidade e um aconchego da porta de entrada ao quintal nos fundos. Engraçado porque hoje de manhã, quando acordei, eu estava justamente pensando no quanto sempre foi bom dormir e acordar com barulho de chuva. Melhor ainda era acordar com cheirinho de café passado e mesa da mãe posta. Simples assim. Somos todos, afinal, seres simples e fáceis. Em São Paulo, Cachoeira, em Paris ou Tóquio, cheiros, toques e sabores nos tocam, emocionam. Então, pra que complicar tanto?
*tchuco: palavra que, um dia, do nada, eu inventei e pegou. Uso com minha equipe e com conhecidos. Significa, pra mim, coisa fofa, mimosa, lembrancinha, algo surpreendente.
*tchuco: palavra que, um dia, do nada, eu inventei e pegou. Uso com minha equipe e com conhecidos. Significa, pra mim, coisa fofa, mimosa, lembrancinha, algo surpreendente.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
A natureza sabe
Tenho recebido alguns recados / mensagens de amigos que, mais do que comentar o blog, têm falado sobre a minha coragem em me expor e, mais ainda, perguntam como eu tenho conseguido tempo para parar de vez em quando, organizar ideias e colocá-las no papel (ou no ar...). Pois bem. Eu também pensava que não teria coragem, que não teria tempo, que não conseguiria me expor tanto assim. Mas, como a natureza é sábia e envia sinais (cabe a nós ouvil-los ou não), eu diria que a iniciativa do blog veio de uma série de fenômenos que aconteceram com a minha vida nos últimos dias e, também, por algumas pessoas iluminadas que, coincidentemente ou não, me abordaram, provocaram, instigaram no mês que passou. Como eu acredito que nada é por acaso, resolvi juntar os insights e reuni-los no meu mundo rosa. Hoje, falando ao telefone com uma amiga super querida (sim, eu catei uns minutos do meu dia para falar com ela, em horário comercial, sem culpas e sem pressa), eu tive ainda mais certeza de que a natureza sabe das coisas. Ela está grávida da primeira filha. É uma executiva poderosa, cheia de energia. Uma máquina a guria. Ela pensava que com a gravidez as coisas não mudariam tanto assim. Continuou num ritmo mega acelerado até que a filhota deu sinais de rebeldia e ameaçou nascer antes da hora. Agora, a mega executiva poderosa está de molho em casa, barriguda e feliz, lendo revistas, assistindo TV, pensando na vida. Ela se permitiu. Porque a Fefê (a baby) vale mais que tudo o que ela acreditava até então. Eu sei que ela está lendo o meu blog (afinal, está com tempo). Sei também que ela tem aprendido muito com esta história toda. A respirar mais, relaxar mais, a se permitir. E estou bem orgulhosa por isto. Eu também tenho tentado ter tempo pra mim, pras minhas ideias aflorarem. Não tenho conseguido 100%, claro. Mas posso garantir que sou uma aluna bem esforçada. Bom findi :)
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