segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Almas gêmeas
Hoje é o aniversário da Helen, uma guria super competente e ruivinha que trabalha comigo. Na verdade, a Helen me entende, me aguenta. E ainda por cima é um tipo raro de mulher que não tem "piti". Pois bem, o mais curioso ainda da Helen é que ela tem uma irmã gêmea, a Ana. As duas são, como se dizia em Cachoeira, "cara de uma, fucinho da outra." E têm uma sintonia muito forte. A Ana está morando em Paris. A Helen, em Porto Alegre. Mesmo assim, tem um super cordão umbilical emotivo que as une. Muito bacana.
Pensando na Helen e na Ana, eu acabei viajando e comecei a questionar sobre as tais almas gêmeas. Será que elas existem? São muitas? Estariam em qualquer lugar do mundo? Em Paris? Eu estou cada vez mais convencida de que a tal alma gêmea, aquela que nos contam nos contos de fada, não existe. Mas tenho convicção de que as pessoas não passam pelas nossas vidas por acaso e que, quando se vão (sim, elas se vão), têm que nos deixar melhores do que éramos antes delas terem vindo. Nós, claro, também temos este importante papel. Mas é bem difícil. Eu não tenho irmã gêmea. Mas tenho belas almas que passaram pela minha vida e deram mais sentido a ela. Amigos, a própria Helen, alguns desconhecidos, família, amores. Espero que a cota não tenha se esgotado ainda. Espero que a Helen e a Ana curtam muito este 1/4 de século de vida. Boa semana.
PS: atendendo à sugestão da Sabrina Mauas, uma amiga argentina, vou tentar colocar algumas imagens junto dos textos do blog. Vamos ver como fica :)
sábado, 6 de novembro de 2010
Resgate
Hoje eu fui passear na Vila Madalena, um bairro super charmoso aqui de São Paulo, cheio de lojinhas lindas e de tchucos*. Andar pela Vila sempre é surpreendente e aconchegante, ainda que as ladeiras das ruas forcem uma ginástica bem pesada (os glúteos agradecem). Em duas situações distintas nas andanças por lá, vivi alguns resgates. Primeiro, fui numa lojinha de brinquedos pra crianças comprar vários presentinhos (amigas estão todas parindo muito). Descobri uma loja lúdica, com brinquedos artesanais, bonecas de pano, muita madeira e jogos clássicos de infância, como jogo da velha e resta um. Um paraíso para qualquer ser humano, dos 2 aos 80 anos. Eu, claro, me diverti muito relembrando meu passado e o quanto eu me entretia com pouca coisa. Qualquer pedaço de pano virava uma história. Depois, faminta por causa das ladeiras, fui tomar um café gostoso num espaço mais delicioso ainda, chamado "Lá da Venda." O lugar não tem nada demais e, por isto mesmo, é um charme só. Vende panelas coloridas, panos bordados, bonecas de pano, floreiras e ainda tem um café para sentar e comer bolo "de nada" ("de nada" foi como o garçom explicou que o bolo não tinha nada dentro, de recheio. Só farinha mesmo...). O lugar estava lotado. As pessoas enlouquecidas "fuçavam" nas gavetas dos armários "de vó". Muita madeira, simplicidade e um aconchego da porta de entrada ao quintal nos fundos. Engraçado porque hoje de manhã, quando acordei, eu estava justamente pensando no quanto sempre foi bom dormir e acordar com barulho de chuva. Melhor ainda era acordar com cheirinho de café passado e mesa da mãe posta. Simples assim. Somos todos, afinal, seres simples e fáceis. Em São Paulo, Cachoeira, em Paris ou Tóquio, cheiros, toques e sabores nos tocam, emocionam. Então, pra que complicar tanto?
*tchuco: palavra que, um dia, do nada, eu inventei e pegou. Uso com minha equipe e com conhecidos. Significa, pra mim, coisa fofa, mimosa, lembrancinha, algo surpreendente.
*tchuco: palavra que, um dia, do nada, eu inventei e pegou. Uso com minha equipe e com conhecidos. Significa, pra mim, coisa fofa, mimosa, lembrancinha, algo surpreendente.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
A natureza sabe
Tenho recebido alguns recados / mensagens de amigos que, mais do que comentar o blog, têm falado sobre a minha coragem em me expor e, mais ainda, perguntam como eu tenho conseguido tempo para parar de vez em quando, organizar ideias e colocá-las no papel (ou no ar...). Pois bem. Eu também pensava que não teria coragem, que não teria tempo, que não conseguiria me expor tanto assim. Mas, como a natureza é sábia e envia sinais (cabe a nós ouvil-los ou não), eu diria que a iniciativa do blog veio de uma série de fenômenos que aconteceram com a minha vida nos últimos dias e, também, por algumas pessoas iluminadas que, coincidentemente ou não, me abordaram, provocaram, instigaram no mês que passou. Como eu acredito que nada é por acaso, resolvi juntar os insights e reuni-los no meu mundo rosa. Hoje, falando ao telefone com uma amiga super querida (sim, eu catei uns minutos do meu dia para falar com ela, em horário comercial, sem culpas e sem pressa), eu tive ainda mais certeza de que a natureza sabe das coisas. Ela está grávida da primeira filha. É uma executiva poderosa, cheia de energia. Uma máquina a guria. Ela pensava que com a gravidez as coisas não mudariam tanto assim. Continuou num ritmo mega acelerado até que a filhota deu sinais de rebeldia e ameaçou nascer antes da hora. Agora, a mega executiva poderosa está de molho em casa, barriguda e feliz, lendo revistas, assistindo TV, pensando na vida. Ela se permitiu. Porque a Fefê (a baby) vale mais que tudo o que ela acreditava até então. Eu sei que ela está lendo o meu blog (afinal, está com tempo). Sei também que ela tem aprendido muito com esta história toda. A respirar mais, relaxar mais, a se permitir. E estou bem orgulhosa por isto. Eu também tenho tentado ter tempo pra mim, pras minhas ideias aflorarem. Não tenho conseguido 100%, claro. Mas posso garantir que sou uma aluna bem esforçada. Bom findi :)
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
O começo do fim
Hoje eu me deparei com vários enfeites de Natal espalhados por São Paulo. O Itaú da Paulista já está montando aquela casinha linda e cheia de luzes. E há umas duas semanas eu me deparei com panetones no supermercado e demorei pra entender o porquê deles estarem ali. É, a ficha caiu. Estamos no começo do fim do ano. Novembro, feriados e... pumba, terminou 2010. Eu confesso que tenho uma certa raiva desta histeria "natalícia". Presentes pros amigos, pra família, fechamentos de planejamentos das empresas e uma sensação de estar perdendo o bonde e o controle. Natal é legal de verdade quando a gente ainda acredita em Papai Noel. Pra mim, o gostoso mesmo é o Ano-Novo e tudo que ele traz de simbolismos pra vida. Pra minha? Parar uns dias pra respirar, cheiro de mar, pessoas queridas, celebrar a vida. Como dizia o Drummond em uma de suas poesias deliciosas, "quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias é um indivíduo genial." Respiremos então. O fim está chegando. E o começo vem logo ali, dobrando a esquina.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Viver é perigoso
Neste fim de semana + feriado eu fui para o Rio para respirar um pouco de maresia, comer milho na areia e tirar um pouco do branco gelo paulistano. Alguns raios de sol sempre fazem bem. Toda vez que eu vou pra lá eu fico me perguntando se o tal Rio perigoso da televisão é assim tão violento. Na verdade, eu acho que não. Só acho que no Rio as coisas são mais explícitas. Tudo acontece muito perto. É muito "democrático". Tá tudo ali. O mar maravilhoso, a favela, os carrões, os corpões. Na verdade, eu me sinto muito segura no Rio. Principalmente no Leblon e Ipanema, onde eu ando tranquila pelas ruas (tranquilidade que eu não tenho sentido tanto assim quando vou para Porto Alegre, infelizmente). Só que neste fim de semana eu me deparei com a tal violência bem na frente dos meus olhos. Caminhando no calçadão de Ipanema, testemunhei um tumulto fruto de um tiroteio que acabara de acontecer. Correria, ambulância e milhares de versões do acontecido depois, a ficha foi caindo e, com ela, a sensação cada vez mais presente de que viver é perigoso. Sim, é mesmo. Nascer é perigoso. Respirar é perigoso. Comer é perigoso (vai que a pessoa se engasga). Mas talvez esta sutileza de um perigo sempre ali, tão pertinho, seja a pimenta que nos move pra frente. Não dá pra brincar com a vida, passar do ponto, virar o fio. Mas também não dá pra deixar de ir pro Rio, de se aventurar no mato, de sofrer por amor. Fácil é ficar anestesiado, ter uma vida morna, se esconder debaixo da cama. Botar o nariz e o peito pra fora, isto sim dá trabalho.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Credo!
Credo, Deinha, quanta mágoa no teu coraçãozinho no post anterior. - É, ok, me deixei abalar. Mas felizmente existem pessoinhas especiais que conseguem dar pitadas de magenta no horizonte gris. O Breno, uma destas criaturinhas "do bem" (ok, ok, eu sei que o conceito de bem e mal é bem relativo, mas vocês são inteligentes e entenderam, certo?), me mandou este textinho esta semana. Ser feliz não é fácil!!!
(*) FELICIDADE ! ......que é o tamanho da distância entre a mais alta felicidade e a mais funda infelicidade de um homem , produto da nossa fantasia : " A vida que se vive é um desentendimento fluido, uma média alegre entre a grandeza que não há e a felicidade que não pode haver. " No fundo do coração humano, entretanto, algo surdo e obstinado resiste: algo indomado protesta a nos dizer que há alguma coisa indefinível pela qual existimos e aspiramos, algo por que vale a pena viver e sofrer : A imaginação selvagem que nos habita em segredo insinua esperanças e inspira sonhos que a razão desautoriza.
O grande equívoco é supor que um deles precise ou deva sair vitorioso. A qualidade da tensão é essencial.
(*) FELICIDADE, de Eduardo Giannetti
(*) FELICIDADE ! ......que é o tamanho da distância entre a mais alta felicidade e a mais funda infelicidade de um homem , produto da nossa fantasia : " A vida que se vive é um desentendimento fluido, uma média alegre entre a grandeza que não há e a felicidade que não pode haver. " No fundo do coração humano, entretanto, algo surdo e obstinado resiste: algo indomado protesta a nos dizer que há alguma coisa indefinível pela qual existimos e aspiramos, algo por que vale a pena viver e sofrer : A imaginação selvagem que nos habita em segredo insinua esperanças e inspira sonhos que a razão desautoriza.
O grande equívoco é supor que um deles precise ou deva sair vitorioso. A qualidade da tensão é essencial.
(*) FELICIDADE, de Eduardo Giannetti
Por que as pessoas mentem?
Olha só, eu sou uma pessoa super otimista, vejo o lado bom das coisas, respiro, bla bla bla. Mas não tenho sangue de barata, não. Às vezes as pessoas confundem alguma serenidade (eu disse "alguma") com bocabertice. Tá, Andréa, mas o que aconteceu que o teu mundo tá cinza hoje, apesar do sol lindo lá fora e dos passarinhos cantando? Huuuuum. Uma longa história. Resumindo, estou sem carro há 3 meses. Meu carro foi batido, demorou horrores pra ser arrumado e, quando finalmente saiu da oficina, ele já não tinha o mesmo jeito de sorrir. Negociei pra vendê-lo e trocar por outro praticamente igual. Só que sorridente. Mas a vendedora não manteve a palavra na hora de fechar o negócio. Disse que pensando bem, não era bem assim, e que me pagaria, ao final, uns bons 20% a menos que o combinado. Me revoltei e mandei meu carro pra ser vendido em Porto Alegre, com o Junior, um cara legal que sempre me ajuda nestes assuntos automotivos. O Junior fez tudo. Papelada, placa de SP, transporte, colocou película. Só não fez mais quando a coisa saiu do seu alcance. Desde quarta-feira da semana passada o carro está "chegando" na minha casa aqui em SP. Depois de dois meses de stress com o carro sendo arrumado, consegui arrumar encrenca com o carro novo comprado. Dá pra acreditar? Pior, não posso nem xingar o Junior. O "ruído" de comunicação foi da concessionária de SP, que vai me entregar o dito. Eles têm mentido pra mim descaradamente há dias. Não falam que vai demorar e tal. Falam: "em 2 horas, D. Andréa, o carro estará nas suas mãos. Sem falta." Só faltam dizer: "Pode confiar." Dããã.
Acho que eu sou meio tolinha mesmo. Sou do tempo em que as pessoas confiavam no fio do bigode. Mas tem cada vez menos gente neste time e eu tô ficando bem cabreira em relação à palavra das pessoas. Que os seres humanos mentem, ok. Isto eu já aprendi. Eu até concordo que uma mentirinha às vezes é um mal necessário. Mas tem que ter classe e sabedoria até para mentir. Se mentir sempre, o ser humano vira uma própria mentira.
Acho que eu sou meio tolinha mesmo. Sou do tempo em que as pessoas confiavam no fio do bigode. Mas tem cada vez menos gente neste time e eu tô ficando bem cabreira em relação à palavra das pessoas. Que os seres humanos mentem, ok. Isto eu já aprendi. Eu até concordo que uma mentirinha às vezes é um mal necessário. Mas tem que ter classe e sabedoria até para mentir. Se mentir sempre, o ser humano vira uma própria mentira.
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