sexta-feira, 3 de junho de 2011

Efeito Cosmopolitan

Não sei se você percebeu, mas eu ando meio sumida do blog. Na verdade, ando meio sumida da minha vidinha, eu diria. É que eu fui pro Butão, mudei de casa, casei (melhor, vou casar, ai, não sei mais) e tenho trabalhado bastante (em projetos muuuuito legais). Por esta e por outras, deixei o blog meio de lado, assim como várias rotinas que eu tinha e não estou conseguindo manter. Pior, não me sinto culpada por isto. O blog, querido companheiro de desabafos, está ali, pronto para "me ouvir" quando eu precisar falar. E tem tido paciência com este meu tempo para digerir as coisas. Coisa boa isto. Sem metas, sem pressa, aceitando o "time" das coisas. Muito bem, Deinha :)
Pois bem, agora me deu vontade de falar. Eu tenho pelo menos uns oito ensaios de textos que comecei a fazer pro blog nos últimos dias. Sobre o Butão, sobre a tal felicidade, sobre as mulheres celtas, sobre um livro bacana que me indicaram. Mas eles vão esperar mais um pouco, no meu limbo de pensamentos. Hoje eu fiquei com vontade de compartilhar uma transgressão da Deinha. Sim!!! A Deinha é humana e fez "arte". Ufa! Foi ontem à noite. Coisa de adolescente "tardia" e, pasmem, uma travessura muito divertida.
Saí com um grupo de amigas que eu gosto demais. Somos quatro no total e passamos há três anos um ano-novo em Angra com  um grupo de amigos. O encontro foi bem simbólico porque todas passávamos por momentos importantes das nossas vidas pessoas. Umas começando uma história, outras terminando, muuuitas coisas acontecendo e uma sintonia deliciosa que aconteceu entre nós naqueles dias inesquecíveis. De lá pra cá muitas águas rolaram. Duas casaram, uma teve bebê (a lindíssima Angelina, hoje com 8 meses), uma se separou e hoje tem um novo namorado muito querido. Mudamos da água pro vinho e ontem foi uma noite de reencontro para comemorarmos e colocarmos o papo em dia. Uma delas (a do bebê) estava desmamando a filhota (oba. ela mamou no peito por oito meses) e, depois de quase dois anos, se permitiu beber sem culpa. Peitos doídos e cheios de leite (desmamar não é assim tão fácil) e muito assunto represado. Estávamos eufóricas, felizes pelo encontro e cansadas de tanto correr e trabalhar. Lá, num lugar simplesmente delicioso que descobrimos, fomos tratadas com todo o carinho e com muitos mimos pelo garçon e pela dona. O que aconteceu? Cosmopolitan vai, Cosmopolitan vem, perdemos o controle. As quatro. Eu bebo muito pouco. Quase nada. E ultimamente tenho bebido cada vez menos. Uma taça de vinho tem sido bem suficiente para me deixar bem tontinha. Beber não me cai bem e eu acho isto um "problema" ótimo. Ninguém precisa beber pra ser feliz. Passei muitos carnavais completamente sóbria e feliz. Mas ontem, por esta conjunção astral toda, resolvemos brindar. Ao encontro, aos maridos queridos, à família, aos amigos, ao amor, ao casamento que se aproxima. Brindamos, rimos, falamos besteira e perdemos a linha. Estávamos de carro (num carro só) e, passado da meia-noite, tive um momento de lucidez e enxerguei a cena com clareza: não tínhamos condição de voltarmos pra casa, muito menos dirigindo. O que eu fiz? Prontamente liguei pro maridão (anjo, querido, machão, amado), que dormia em casa, e pedi socorro. Simples assim. Sim, a Andréa "controladora" e toda metida a poderosa, como ele costuma falar, teve a humildade (e, repito, a lucidez) de pedir ajuda. Não me perguntem como, mas em cinco minutos ele estava lá, a postos, todo preocupado (e se divertindo com a cena), com dois litros de Coca embaixo do braço e com uma estratégia montada. Segura uma daqui, paga a conta acolá, pega os casacos, bolsas e afins e, finalmente, partimos para nossas casas. O resgate teve vários percalços pelo caminho (quedas, narizes machucados, celulares e boinas perdidos) e outras coisitas mais, impublicáveis para os estômagos mais sensíveis. E o que fez Marco? Sorriu, acudiu e devolveu, uma a uma, as meninas aos seus respectivos maridos / namorados / amados. Na volta, ainda teve o sangue frio de parar o carro ao lado da torneira da nossa garagem e limpar algumas provas do crime. Passava a esponja, cantava e cuidava de mim que, "tentando ajudar", atrapalhava ainda mais a operação. Acho que ele ficou feliz por muitos motivos: porque eu me permiti "transgredir" e perder o controle e, principalmente, porque eu pedi ajuda. Ele estava se achando o super homem, "salvando" aquele bando de mulheres, todas poderosas e, naquele momento, vulneráveis e aceitando a ajuda dele. Quase um milagre, eu diria. Claro, não pretendo repetir a experiência. Não aconselho a ninguém acordar como eu acordei hoje. Mas, apesar da ressaca toda, estou bem leve e feliz. Pelas amigas queridas que eu tenho, pela "despedida de solteira" não programada e por saber que meu marido está comigo na alegria e na tristeza, na saúde e na doença e até na ressaca nossa de cada dia. Marco, eu te amo! Gurias. Apesar dos pesares, eu me diverti muito. Amo vocês também!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Óculos coloridos da deinha

Ontem à noite eu tive mais um encontro das Gestadoras do Futuro, um grupo de mulheres (e homens) que dedicam tempo e energia em busca do resgate do poder feminino, no seu sentido mais autêntico (e, por favor, nada óbvio). O que se busca nestes encontros é uma forma de suavizar as nossas relações, pessoais e profissionais, através do resgate de valores sutis e amorosos. Parece uma viagem. E é. Por isto mesmo é tão interessante. Mais do que buscar alcançar este objetivo, o grupo me dá a rara e valiosa oportunidade de interagir com pessoas fantásticas, com experiências de vida bem diversas e muita vontade de trocar. Falávamos, entre um chá e outro, sobre o nosso olhar sobre o mundo. E no quanto ele pode estar "viciado" em lentes artificiais. Desde que eu voltei do Butão as pessoas me perguntam o que eu vi, senti e, de forma velada, o que eu achei de tudo aquilo. Estou angustiada porque eu ainda não achei nada. Eu só vi e ouvi muita coisa por lá. E ainda não consegui ouvir a mim mesma. Tenho um medo enorme de jogar nas palavras impressões preconceituosas sobre um país cuja cultura difere da nossa em praticamente todos os aspectos. Quem sou eu para julgá-los ou para dizer se estão certos ou errados? Uma das pessoas do grupo de ontem trouxe a história de um monge tibetano que veio morar na Argentina. Sim, ele saiu do Tibet a convite de algum argentino (eles só podem sair com convites formais do país que o convida) e veio viver sua vida na América do Sul, dividindo sua vida com "los hermanos". Quando questionado sobre o motivo que o fez mudar radicalmente, ele contou que veio para ver como vivem "os pobres do mundo". Sim, na visão dele, com a lente dele, nós somos seres diferentes e estranhos, pobres (talvez dignos de compaixão) e, principalmente, muito bravos. Digo "somos" porque nossos comportamentos ocidentais de sulamericanos são bem parecidos, em linhas gerais (no trânsito, no trato com o outro). Ele não consegue compreender por que os argentinos gritam e exaltam-se tanto por qualquer coisa. Como nós não compreendemos os casamentos arranjados da India ou as práticas e rituais de países com o Butão. Talvez não tenhamos sequer que tentar entender. Somente respeitar. A Regina, uma destas pessoas que não vive neste planeta (um anjo talvez) trouxe ao debate um conceito bem legal. Ela falou em não usar a expressão "direitos humanos", porque ela já carrega um tom de "certoX errado". Mas se falarmos em valores humanos, eles são universais. E, por isto, não se pode admitir nenhuma violência, em nome de uma religião, de uma cultura ou do que for. Simples. Não, felizmente eu não vi nenhuma violência deste tipo no Butão.  Pelo contrário. Então tá. Resumindo e entregando um pouco do que eu já consegui digerir até agora: os butaneses são felizes de verdade, sim. Com seus óculos coloridos por bandeiras e crenças, com seus estilos de vida e com uma boa dose de budismo pra acalmar a mente, fica mais fácil atingir altos indicadores do FIB (Felicidade Interna Bruta). Eles não têm o nosso chip para o consumo (por quanto tempo?) e têm uma paz de espírito bem escassa por estas bandas de cá. Se eu viveria lá e me consideraria feliz por isto? Acho que não. Nem por isto eles são melhores ou piores que nós. São diferentes e, por isto, tão ricos e curiosos. Se eu vou conseguir aplicar o tal FIB na minha vida pessoal, nos meus clientes, em algum lugar? Também não sei.  Independente da aplicabilidade prática do indicador, ele mexeu comigo porque me levou para o outro lado do mundo, colocou novos ares na minha vidinha e abriu minha agenda para duas semanas de paz comigo. Com ou sem o óculos rosa, a Deinha voltou do Butão diferente. Mais leve, inquieta, verde de tanto tomar chá, cheia de cores e experiências nas bagagem. Eu ainda não a desvendei, mas gosto dela mesmo assim. Assim, escabelada, desnorteada e com um sorrisão gigante entregue nas fotos.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Impermanência

Como eu já disse anteriormente, sou uma simpatizante do budismo. E agora, na minha volta da India, ainda mais do hinduismo. Também entendo que o espiritismo faz muito sentido e respeito quem é católico, praticante ou não. Eu voltei da India / Butão há pouco mais de uma semana. Minhas ideias e meu fuso (con-fuso horário) começam a se organizar agora. É que na minha volta a minha rotina não teve nada de normal. Casa nova, muitas caixas espalhadas, marido, preparativos para a festa do casamento, muuuitas mudanças. Não sei como teria sido se eu tivesse voltado dentro de "condições normais de temperatura e pressão". Mas a minha nova realidade está bem  divertida e completamente "fora da rotina". Aí eu me lembrei de um ensinamento budista bem bacana, que fala da impermanência. A grosso modo (como eu disse, sou simpatizante ainda e, portanto, leiga), ele fala que nada na vida é certo. E que nos apegarmos a qualquer coisa (pessoas, objetos, acontecimentos) é uma pena porque elas, cedo ou tarde, passarão. Parece meio duro, meio frio. Mas faz muito sentido. Você já parou pra pensar como era e no que você acreditava 20 anos atrás? E no quanto suas ideias, desejos e visões de mundo se transformaram? Pois é. Não sei quanto a você, mas pra mim, tudo mudou muito. E espero que continue mudando, de preferência pra melhor. Quando eu estava no Butão, diante de algumas paisagens simplesmente deslumbrantes, imensas e serenas, eu tive o cuidado de me concentrar algumas tantas vezes pra viver aquele momento. Respirava e tentava ter a máxima consciência possível do que eu estava vivendo. Eu sabia que dali a alguns minutos, tudo seria passado. Assim é nossa vida. Mudamos o tempo todo. Mesmo sem querer. Acontece. Faz parte. Eu sou apegada às pessoas. Gosto delas, gosto de interagir, de saber como elas estão. Mas estou tentando me desprender um pouco desta coisa da "posse" que fomos ensinados a exercitar para deixá-las bem livres e seguras de si. Se elas mudam o tempo todo (e mudam), temos que mudar também. E reconquistá-las, surpreendê-las, reaprendermos a lidar com elas. Isto vale para objetos, claro, para desafios, para o que eu conquistei. Estou tentando escrever sobre a viagem, sobre as minhas anotações e os pensamentos que surgiram nestes quase 20 dias de experiências inusitadas. Quanto mais eu penso, menos sai. Muita informação. Muita coisa pra pouco tempo de vida real. Aí me surgiu a vontade de falar sobre isto. Sobre a impermanência das nossas vidas. E sobre o quão libertador é aceitarmos este fato e conseguimos lidar com ele em paz. Simples assim. Mas quem disse que é simples?

* este menininho butanês fez meu tempo parar quando eu o vi. Lindinho, simpático e super interativo, ele me fez lembrar do meu mundinho rosa quando eu tinha a idade dele. Passou, mas continua vivo dentro de mim.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O tigre e o veado

 Pois bem. Estou de volta depois de alguns dias estonteantes na India e, finalmente, no Butão. A viagem não poderia ter sido mais perfeita. Foi preparada com cuidado cirúrgico para irmos nos ambientando e preparando nossos corpos e espíritos para o que estava por vir. Na chegada, Dehli, com seu misto de cheiros, barulhos e cores. No dia seguinte, pé na estrada. Muuita estrada. Fomos em direção ao extremo nordeste da India, aquela pontinha beeem na direita, quase invisível. Lá, na região chamada Assam, ficamos no parque do Kaziranga, gigante, lindo, imponente. O parque abriga as espécies mais inesperadas de animais e é reconhecido como refúgio mais importante do rinoceronte indiano de um só chifre (foi a Wikipédia que disse). Pois bem, meu primeiro, melhor, segundo contato com a India foi bem impactante e inesperado. Depois de um trecho de avião e estrada quase sem fim (com emoção, vacas e caminhões doidos e cheios de enfeites pelo caminho), chegamos, quase à meia-noite, na pousada que nos hospedaria por alguns dias. Tudo muito diferente da India que eu via imaginava. Imagino que é como os estrangeiros enxergam o Brasil quando chegam por aqui e encontram tanta diversidade. O hotel era uma antiga casa de caça inglesa. E fica numa região extremamente pobre da India. Os guias, o turismo, tudo gira em torno do parque, que é lindo e abundante. E funciona só seis meses por ano. Nos demais, chove e alaga tudo. Muito doido. No primeiro dia, grandes emoções e um passeio de elefante logo de madrugada. Quando vimos o primeiro rinoceronte, nooooossa, quanta emoção. Ele ali, a alguns metros e nós ali, em cima do elefante, do ladinho. Misto de medo e euforia. E seguimos o baile. No caminho, um ou outro veado camuflados foram se revelando. No primeiro deles, fotos, comentários. No décimo, já começávamos quase irritadas por ele estar "atrapalhando" possibilidades de vermos outros bichos mais raros e menos repetidos.
O ponto alto da viagem aconteceu de tarde. Nosso guia, super simpático e sorridente, estava realmente orgulhoso em nos acompanhar e vibrava com nosso respeito e interesse pelo que víamos. Ele tinha olhos vibrantes e curtia conosco cada descoberta, como se fosse a primeira vez. Um macaco velho que não perdeu o jeito de sorrir. Cheio de lendas e histórias, contou, empolgado, que tínhamos uma chance, muito remota, de vermos um tigre de verdade assim, na nossa frente. Para isto, teríamos que esperar a tarde cair, em silêncio. Perguntou se topávamos o desafio e se teríamos paciência para a missão. Claro que sim, foi o que dissemos. Ficamos exatas três horas parados no jeep, aguardando. Mal respirávamos e, enquanto estávamos ali, absorvendo aquele cheiro de mato, vimos muita coisa linda acontecer na nossa frente. No pacote, elefantes selvagens que atravessaram a alguns metros do carro, rinocerontes, claro, e algumas aves bem exóticas e lindas. Mas não estávamos tão preocupados assim com eles. Queríamos o difícil. Queríamos ver o tigre!
E não é que ele veio? Quando o parque estava quase por fechar (tínhamos que sair - eles são bem rígidos com as regras), avistamos um sinal meio cor de laranja saltando no meio da vegetação alta. Euforia, medo, excitação, adrenalina. Depois do "sinal", ficamos praticamente sem respirar, dividindo-nos em fatias de visão, com ângulos de 90 graus para cada um. Não podíamos perder um milímetro de mato, sob pena de perdermos o espetáculo que tanto esperamos. Eis que, literalmente aos 45 segundos do segundo tempo, ele apareceu. Majestoso, lindo, tranquilo, literalmente desfilando nas nossas frentes. Não consegui tirar foto. Não filmei. Felizmente a Monique teve mais sangue frio e registrou a cena. Foram alguns segundos intermináveis vendo aquela criatura atravessar a estrada a alguns metros dos nossos olhos. Ele sequer olhou para o lado. Nos ignorou e passou, no seu tempo, com suas cores e músculos resplandecentes.
Fiquei me questionando por que esperamos tanto e o quanto aquele momento tão volátil marcou tanto a nossa viagem. E não resisti em fazer um paralelo sobre nossas vidas, sobre os veados (ou qualquer outro bicho mais ou menos "commoditie") nas nossas vidas X o tigre (único, difícil, raro, seguro de si). Não queremos veados, pessoas óbvias ou criaturas repetidas. Nossa busca, desde o tempo de nossos antepassados, sempre teve mais gosto com o que era diferente, com o que dá trabalho. Somos mais ricos quando encontramos um companheiro / companheira que nos desafie, que nos faça ter paciência, aguardar e respeitar o tempo das coisas e que, quando surgem, enchem nossa vida de emoções e sutilezas. Tem gente que se contenta com a primeira foto, com o primeiro relato. Não nasci pra isto. Quero tigres, viagens que me provoquem, pessoas que me façam crescer e repensar minhas ideias. Se você também é chegado em tigres e desafios, aguarde. Tem mais relatos nos próximos posts, deste e dos outros lados da India. Como plus, tem até o Butão. Ufa, respira, Andréa.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Vou-me embora pro Butão.

Ainda não sou amiga do rei, mas, considerando o tamanho do país (eles não chegam a 700 mil habitantes), diria que esta não é uma possibilidade tãããão remota. Mesmo assim, mesmo que eu não consiga tomar um chá com ele, tenho certeza de que terei a oportunidade de encontrar outras tantas pessoas bem ricas e nobres, em histórias e olhares.
Pra quem não sabe (eu não sabia), o Butão é um país (um reino, na verdade), que fica entre a China e a India. É bem pequeno e fica protegido pelas montanhas do Himalaia. Talvez por isto tenha ficado "esquecido" tanto tempo. Felizmente, eu diria, porque graças a isto ele é hoje um dos poucos cantos quase intocados do mundo. A cultura está bem preservada. Ainda é preferencialmente matriarcal (uhu, as mulheres mandam), poligamista e budista. Tudo lá é bem colorido e as pessoas parecem ter saído de um conto de fadas. Quase pequenos gnomos, sorridentes, com roupas típicas, cheios de rituais e lugares sagrados. Eu não quis saber muito sobre o país. Li um pouco, assisti alguns vídeos, mas estou tentando estar bem aberta para chegar lá e conseguir respirar da forma mais livre possível aqueles ares todos. A viagem, como boa parte dos acontecimentos da minha vida nos últimos tempos, foi um grande presente. Eu não desejava conhecer o Butão. Eu não sabia sequer que os butaneses existiam. Mas sabia da minha busca por algumas perguntas e respostas. O budismo tem me trazido algumas delas (respostas e muitas perguntas) e a ida pro Butão representa realmente um divisor de águas na minha vida. Lá eles têm o FIB (indicador que mede a Felicidade Interna Bruta), que tem sido estudado em Oxford e já tem sido implementado em vários países. Muito além das questões econômicas, ele propõe outras visões sobre a vida e as pessoas. Quero entender um pouco mais disto tudo e, se possível, trazer na bagagem muito mais que pashminas e incensos (claro, trarei alguns. Ok, muitos). Mais que isto, espero voltar com histórias e impressões que tenham me tocado, que possa tocar as pessoas, dentro e fora das empresas, e que, tomara, toque também você. Deixo registrada aqui minha alegria pela oportunidade e a euforia diante de tantas mudanças. Sigo amanhã à noite, com o caderno em punho. O computador, bem como todas as tecnologias afins (celular etc) ficará em São Paulo, descansando. Vamos ver como eu me saio, desconectada da tecnologia e, espero, totalmente conectada comigo. Namastê. Até a volta.

Seguem uns links bacanas que eu fui descobrindo pelo caminho:
• http://vimeo.com/18843621 (documentário de Heloísa Oliveira)
• http://www.ted.com/talks/jonathan_harris_collects_stories.html

quarta-feira, 30 de março de 2011

Desaprender é preciso.

Hoje eu tomei um café com uma daquelas pessoas maravilhosas que mudam a vida da gente quando dedicam algumas horas de prosa. Ele é um amigo, cliente, e também um cara que eu admiro e com quem eu acabo sempre filosofando sempre. Bom demais pra abrir a cabeça, especialmente agora, que eu estou com um pé no avião, rumo ao Butão (calma, outra hora, digo, noutro post, eu conto tudo). Pois bem, dentre os assuntos da "pauta", falávamos em aprendizado, em estarmos abertos para as mudança e no quanto isto pode ser rico pras pessoas. Eu tenho sentido isto na pele. Minha vida sempre foi bem animada, eu diria, mas está especialmente agitada e cheia de novidades nos últimos tempos. Minha vinda pra São Paulo foi meio "truncada" nos primeiros meses (anos?) e eu estava bem fechada para digerir tudo isto. Na verdade, eu vim pra cá com um monte de pré-conceitos e ideias meio formadas sobre a vida e as pessoas e aqui, por bem ou por mal, tive que abrir espaço no HD para observar e entender novos comportamentos e situações. Segundo este cliente / amigo com quem eu falei hoje, ele recebeu um ensinamento aos 27 anos, numa multinacional onde trabalhou, que nunca esqueceu. Uma criatura contou pra ele a importância de aprendermos a desaprender para liberarmos espaço e a nossa mente para o novo. Ou seja, nos despirmos um pouco do passado (sem abrir mão dos nossos valores, claro) para abrirmos novas frentes no presente e no futuro. Eu mesma tenho questionado um monte de coisas, tenho reavaliado outras tantas e mudado meu comportamento em váááárias frentes. O que eu aprendi no colégio quase não serve mais e muito do que eu tinha como "certo" nas religiões, por exemplo, tem se transformado bastante. Vale também para meu jeito de vestir, meus hábitos, meus planos. Que bom. Chama-se "evoluir". Pelo menos eu espero que seja por aí o processo. As pessoas têm estranhado, se assustado, reagido um pouco "cabreiras" a algumas das minhas novas "roupagens". Outras, mais doidinhas e empolgadas, estão adorando e até pegam uma carona aqui, outra ali. Não é minha intenção. Mas acontece. Estou tentando esvaziar a caixinha e deixá-la bem arejada para novas e reveladoras experiências. Que venham coisas boas e bem leves pra rechearem minha ignorância de mundo :)

PS: esta imagem, da borracha Mercur, é homenagem a dois ex-clientes e grandes amigos que a vida me deu, o Cloger e o Breno. Continuo aprendendo muito com eles.

terça-feira, 29 de março de 2011

Comer, dormir e escolher os amigos.

Eu estava lendo a revista da Tam no voo (aliás, eu curto muito a revista) e me deparei com a reportagem falando sobre paraquedismo. O inusitado da matéria era a história de um jovem senhor, com seus setenta e poucos anos, que continua saltando e viaja o mundo em busca de adrenalina. Sempre junto com companheiros com idade para serem seus filhos ou netos. Ele tem as feições parecidas com o papai noel, só que em boa forma. Simpático, sorridente, conta suas peripécias no ar e o quanto isto tudo o energiza. Um exemplo a ser seguido, pela serenidade de uma pessoa movida por uma paixão. Ele tem sangue correndo nas veias. Não calçou as pantufas e não se queixa do tempo e das limitações que vêm de brinde. No final da história, ele dá algumas dicas de como, segundo seu olhar, pode-se viver bem. Falou, claro, dos cuidados com alimentação, com o corpo e com o sono, mas incrementou um outro aspecto curioso. Comentou algo do tipo "escolher bem os amigos". Não lembro de ter visto nos manuais algo escrito desta forma. É importante ter paz de espírito, alguma crença, tranquilidade e, olhando assim, de pertinho, as pessoas à nossa volta são bem importantes para o alcance ou distanciamento disto tudo. Por mais zen que estejamos, ter por perto pessoinhas "pesadas" torna tudo mais difícil. Não estou falando em viver no "mundo rosa" e esperar que todos sejam legais e iluminados o tempo todo. Todos temos dias ruins, lados negros, sombras reveladoras. Mas filtrar quem não nos faz bem das nossas rotinas ajuda um monte. Tenho feito este exercício mentalmente. É ainda bem recente, mas já foi dada a largada. O de evitar conviver com pessoas de mal com a vida. Eu simplesmente não preciso disto. Isto não me pertence. Claro, na rotina, no trânsito, na loucura das nossas vidas, elas estarão sempre por aí, espalhadas, alucinadas. Meu desejo e a minha tentativa atual é torná-los distantes espiritualmente do meu serzinho, tentando me fechar em mim, respirar, me centrar. O bom disto tudo é que estou fazendo uma certa reciclagem na minha vida. Como num roupeiro. Cada sapato novo dá direito a descartar um antigo. Com as pessoas pode ser assim. Se eu deixar me afastar de alguém por um ou outro motivo, estarei abrindo meu coração para novas pessoas e possibilidades (não estou dizendo que as pessoas são descartáveis, pelo amor de Deus, mas que elas vão e vem nas nossas vidas. Bom mesmo quando vão e voltam ainda melhores). Tem também a história do coração de mãe, onde sempre cabe mais um. Vero. Mas a questão aqui é simples e direta. Saber fazer escolhas. E aprender a fazer isto também em relação aos amigos. Claro, não vou abrir mão de jeito nenhum dos velhos e queridos companheiros de vida. Aqueles que, como aquele casaco antigo e aconchegante, nunca deixarão de fazer parte da minha história. Estes, no velho ou no novo roupeiro, sempre terão seu cantinho especial.